sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
É tempo de tanto faz
Poderia escrever sobre moda. Mas acho que não tô inspirada, aliás, até agora não entendi como coloquei uma calça vermelha, uma camisa lilás e uma tiara com laço? Onde que eu tava com a cabeça? Não, então não poderia escrever sobre moda. Meu bom senso não permitiria tamanha ousadia. Por mais que né, meu bom senso opine bem raramente e que os vestidos curtos, balonês estejam na minha cabeça e até no meu armário, meu coração não tá muito no clima. Poderia escrever sobre o roteiro da bailarina que falava russo. Ficou bem fofo, mas não quero também, talvez em outro momento eu fizesse um texto inteiro , agora não. Poderia falar da cidade alagada, do trânsito parado, mas não vou comentar. Não vou nem me dar ao luxo de reclamar. Continuo desejando de manhã uma festa e de noite o fim do mundo. Ou vice versa. Tanto faz. Se o mundo acabasse eu compreenderia, se a festa estivesse animada eu dançaria. Mas não quero falar sobre isso. Poderia falar das flores, só para dizer que falei. Poderia falar das expectativas, dos planos, mas não sei onde estão,vão e voltam. Todos os dias alguém me faz um bem enorme, mas eu não vejo, todos os dias alguém me faz uma gentileza, mas eu nem noto. Mas quando alguém grita, ah, aí eu choro. Todos os dias alguém me pega pelo braço e me aponta uma saída. Mas não quero ver. Quase imploro: parem de falar comigo. Preciso que um estranho me diga que não estou sozinha. Preciso que uma pessoa que nem conheço me dê certeza que tudo isso vai passar. Preciso que você segure mais vezes a minha mão, que passe mais vezes a mão no meu cabelo e diga que ele tá brilhando, mesmo que não esteja. Poderia explicar porque o nunca mais dói bem menos que a sexta feira. Porque o ontem era melhor que o hoje. Porque a indiferença conforta mais que o amor. Porque a antipatia as vezes protege de maiores danos. Porque o silêncio apavora. Porque o salto alto dói ainda mais que a sexta. Porque os vestidos não estão caindo bem. Porque não vou dançar a Macarena.Porque o demasiado diminui o tamanho da gente. Porque quando era criança era mais corajosa. Porque ouvir sua voz no meio da noite ilumina meu quarto escuro. Porque quando eu morro de rir eu tô mesmo é com vontade de chorar. Porque quando falo que não quero, é porque quero muito. Poderia escrever sobre tudo isso e mais algumas coisas, se quisesse, mas não quero, sendo que com certeza gostaria muito.
sábado, 31 de outubro de 2009
Vamos brincar de concluir com a Telefônica?
Uma época caí na loucura de ter uma linha e um Speedy da Telefônica,coisa que me trouxe um desgaste tão grande que não gosto nem de lembrar. Aí passado um tempo do nosso conturbado relacionamento, descubro que a operadora maldita colocou meu nome no SERASA,sendo que não paguei porque não funcionava nem acendendo vela o serviço que eles me venderam. Quer dizer, não paguei, mas também não tive.
Lei do toma lá da cá não se aplica: nem comigo, nem com eles.
Aí apesar de todo mal que me fizeram, como passar horas e horas esperando para ser atendida e quando conseguir ver a linha cair na cara, contando por alto sem entrar em detalhes. Mesmo assim, para mostrar que sou digna e ligo lá para pagar a porra do negócio, ligo uma, duas, três vezes e nada de me mandarem o BOLETO de pagamento.
-Ah, não chegou porque tá escrito Francini.
-Ah tá, então escrevendo Francine certo vai chegar? ( Rubra)
-Sim vai sim ( clima descontraído).
Passa mais alguns dias, passo por cima de todo meu orgulho e raiva.
Ligo novamente.
-Então, o boleto que eu tenho que pagar por aqueles serviços que, inclusive vocês não prestaram, ainda não chegou. Meio chato, mas não tenho como pagar o negócio que além de não usar, também não recebi cobrança. Desculpe a minha insistência.
-Ah, é porque tá escrito Bittencurt e é Bittencourt né?. ( atendente me diz alegrinho)
- Oi? (20 x mais rubra)
- Escreveram errado seu nome,mas por medidas de segurança a senhora poderia estar me passando seu cpf.
- Claro. Sangue frio. Sangue frio. Sangue gelado. Passo o cpf parra o o atendente.
- Por medidas de segurança a senhora poderia me informar sua data de nascimento?
Aí perco a cabeça, porque né, não sou de ferro.
- Escuta que vocês são um bando de gente incompetente isso eu já sabia, agora o que eu não entendo é como vocês conseguiram ferrar com meu nome, se não tem um dado certo meu nessa merda dessa porra desse dese cadastro?
Se eu não gritasse, corria o risco de morrer envenenada com minha própria saliva, tamanho meu ódio. Aí gente sabe o que eu fico pensando?
E se é uma senhora idosa e cardíaca? E se é uma pessoa que não tá bem com a vida pensando em fazer uma bobagem? Pega uma operadora dessa na frente? Faz o que?
Morre do coração ou se mata.
Quem que vai desconfiar que a pessoa tava passando por isso?
Por favor seu atendente imbecil que medida de segurança é essa que pede CPF e data de nascimento?
Vamos brincar de conclua comigo?
SE fosse um ladrão QUE estivesse QUERENDO pagar POR um serviço QUE não usou , mas supondo QUE sei lá por malandragem, o cara SE passasse por mim, para PASSAR raiva.
Entenderam? Agora é só concluir:
Se acontecesse uma barbaridade DESSAS, lógico se ele tá com meu CPF ele tem minha data de nascimento automaticamente, visto que esses são dados óbvios de qualquer documento.
-Então, por gentileza, queiram PRESTAR o favor( já que serviços vocês não prestam mesmo) de ter um gesto digno de amor com uma alma cheia de ódio e rancor para com vocês e mandar esse boleto agora.
Até agora não chegou. Sinto uma raiva tão pura que é até bonita.
Depois não adianta pagar agência cara para fazer propaganda legal e tentar causar impacto para dizer que estão reformulando toda a central de atendimento, porque tenho certeza que isso que vocês chamam de atendimento deve ser uma mesa de bar com gente bêbada e treinada para me enlouquecer. Só a agência fazer um belo trabalho não adianta.
Lei do toma lá da cá não se aplica: nem comigo, nem com eles.
Aí apesar de todo mal que me fizeram, como passar horas e horas esperando para ser atendida e quando conseguir ver a linha cair na cara, contando por alto sem entrar em detalhes. Mesmo assim, para mostrar que sou digna e ligo lá para pagar a porra do negócio, ligo uma, duas, três vezes e nada de me mandarem o BOLETO de pagamento.
-Ah, não chegou porque tá escrito Francini.
-Ah tá, então escrevendo Francine certo vai chegar? ( Rubra)
-Sim vai sim ( clima descontraído).
Passa mais alguns dias, passo por cima de todo meu orgulho e raiva.
Ligo novamente.
-Então, o boleto que eu tenho que pagar por aqueles serviços que, inclusive vocês não prestaram, ainda não chegou. Meio chato, mas não tenho como pagar o negócio que além de não usar, também não recebi cobrança. Desculpe a minha insistência.
-Ah, é porque tá escrito Bittencurt e é Bittencourt né?. ( atendente me diz alegrinho)
- Oi? (20 x mais rubra)
- Escreveram errado seu nome,mas por medidas de segurança a senhora poderia estar me passando seu cpf.
- Claro. Sangue frio. Sangue frio. Sangue gelado. Passo o cpf parra o o atendente.
- Por medidas de segurança a senhora poderia me informar sua data de nascimento?
Aí perco a cabeça, porque né, não sou de ferro.
- Escuta que vocês são um bando de gente incompetente isso eu já sabia, agora o que eu não entendo é como vocês conseguiram ferrar com meu nome, se não tem um dado certo meu nessa merda dessa porra desse dese cadastro?
Se eu não gritasse, corria o risco de morrer envenenada com minha própria saliva, tamanho meu ódio. Aí gente sabe o que eu fico pensando?
E se é uma senhora idosa e cardíaca? E se é uma pessoa que não tá bem com a vida pensando em fazer uma bobagem? Pega uma operadora dessa na frente? Faz o que?
Morre do coração ou se mata.
Quem que vai desconfiar que a pessoa tava passando por isso?
Por favor seu atendente imbecil que medida de segurança é essa que pede CPF e data de nascimento?
Vamos brincar de conclua comigo?
SE fosse um ladrão QUE estivesse QUERENDO pagar POR um serviço QUE não usou , mas supondo QUE sei lá por malandragem, o cara SE passasse por mim, para PASSAR raiva.
Entenderam? Agora é só concluir:
Se acontecesse uma barbaridade DESSAS, lógico se ele tá com meu CPF ele tem minha data de nascimento automaticamente, visto que esses são dados óbvios de qualquer documento.
-Então, por gentileza, queiram PRESTAR o favor( já que serviços vocês não prestam mesmo) de ter um gesto digno de amor com uma alma cheia de ódio e rancor para com vocês e mandar esse boleto agora.
Até agora não chegou. Sinto uma raiva tão pura que é até bonita.
Depois não adianta pagar agência cara para fazer propaganda legal e tentar causar impacto para dizer que estão reformulando toda a central de atendimento, porque tenho certeza que isso que vocês chamam de atendimento deve ser uma mesa de bar com gente bêbada e treinada para me enlouquecer. Só a agência fazer um belo trabalho não adianta.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Alô Freud?
Da série: vale a pena ler de novo.
Alô Freud?
Som de telefone discando.
-Bom dia. Por favor o Freud?
-No momento ele não pode atender, quer deixar recado?
- Não, obrigada ligo mais tarde.
Essa noite sonhei com você, de novo outra vez, acordei com uma sensação estranha de saudade dolorida. Quando eu penso que estou curada vem um sonho pegadinha que mexe e remexe igual lambada. Sonho é uma coisa estranha. Faz uma salada na cabeça da gente. Pega uma coisa de lá, mistura com uma daqui, põe umas pessoas nada a ver, com outras tudo a ver e uma história maluca. Bata tudo com leite condensado e acorde com uma sensação estranha.
Ontem antes de dormir, vi uma propaganda que achei super bacana. Começa com uma reunião e bem na hora do início da apresentação, um dos executivos derruba uma xícara de café, desencadeando uma série de incidentes engraçados que deixam o chefe à beira de um ataque de nervos. Nesta hora aparece a turma do " Pega Leve" o cara só derrubou um café. Como sou muito ( mas muito) desastrada me identifiquei na hora. Adorei o roteiro e a direção. Passou. Outro cenário. Hora de dormir.
Sonhei que era casamento de uma amiga e bem na hora que ela ia entrar na igreja, eu derrubei alguma coisa do som e ela ia ter que entrar sem música, maior rolo no casamento por minha culpa. E o sonho seguiu até que já na festa, sem a noiva ter entrado na igreja, eis que ELE aparece com uma turma de amigos e uma camisa amarela horrorosa e cara de poucos amigos.E eu desesperada: Meu Deus o que ele tá fazendo aqui? Ele nem conhecia essa minha amiga que estaria casando, caso eu não tivesse atrapalhado e se tudo não fosse sonho.
Falei oi para ele e para os amigos que também apareceram para fazer figuração na minha saia justa imaginária e a loucura continuou.
Som de telefone discando.
Oi por favor, o Freud já pode atender?
-Ainda não.
-Você poderia me passar o e-mail dele?
-Sim, freud@céu.com.br ( o terra é só para quem tá vivo)
-Obrigada.
-De nada.
Talvez eu escreva um e-mail quem sabe não elucida um pouco minha cabeça?
Voltando a festa do casamento, alguém tava tentando resolver o negócio do som para a noiva entrar e enquanto isso eu estava na festa. Engraçado é que na festa tinha música, mas para a noiva entrar não tinha. O vestido dela era bege horrível, também a cara de pau não ia casar de branco, pensei isso também.
Tentei puxar um assunto, mas ele me ignorou e de repente eles passaram por mim e o amigo disse que eles estavam indo embora, porque estava demorando demais. Lembro de ter ficado arrasada, não queria que ele fosse embora, queria muito que ficasse, mas ele foi saindo.
Fui atrás, para pedir para ele ficar que já já ia começar, ia explicar que a culpa do atraso era minha mas que já estavam resolvendo. De novo a culpa era minha? Era e eu ia assumir.
-Mas quem estava resolvendo?
-A produção dos sonhos, oras. Engraçado os cortes de cenas, entro de um cenário para outro com a maior naturalidade, sem uma direção de arte, maior bagunça, bem cara da minha cabeça mesmo.
Preciso contratar um diretor urgente para botar uma certa ordem nos meus sonhos. Ah, e também um figurinista, essa camisa amarela dele e o vestido bege da minha amiga, estão destoando do glamour de quem anda fissurada pela Vogue. Bem que eu podia sonhar mais fashion.
Acordei bem quando estava chegando perto dele. Puf. De volta ao mundo real. Nãoooo, eu preciso voltar para o meu sonho, tento fechar os olhos e voltar, retomar, quero mergulhar no meu cerébro para ver se ele acha o que estava sonhando.
Não dá, Uma coisa realmente impossível é retomar os sonhos. Como seria pedir para você me esperar. Impossível.
Não, bem na hora que eu ia falar com ele, que o casamento ia começar de verdade, que a gente poderia até dançar juntos. Acabou de novo. Não dava para acreditar.
Acordei com o coração disparado, tinha te visto. Você estava ali. Foi sonho, mas parecia tão real.Por que eu ainda sonho com você? Por que ainda acordo triste e com saudades de você? Por que? Por que? Por que? Freud me atende seu desgraçado.
Tempo implacável, mudanças constantes, vida agitada e você nada de desaparecer para sempre dos meus pensamentos. O que será que eu preciso fazer? Galinha preta, vela verde de sete dias numa encruzilhada, com uma calcinha vermelha? Essas coisas malucas que essas pessoas mais malucas fazem? Já joguei papel no mar para Iemanjá. Já fui para terapia. Já te matei. Matei mesmo.Atirei no seu peito três vezes, igual em filme. Dei facadas no seu coração.Quebrei um prato na sua cabeça. Já te velei, já chorei por você, já te enterrei e nada de você morrer de verdade. Parece que tem sete vidas e sério, nem tão gato assim você é.
Tá, tá, eu acho vai, mas as minhas amigas não acham. Mas a verdade é uma só: nunca mais achei ninguém como você. Não tô falando de beleza não, era o seu jeito, a sua dureza, a sua doçura. Sua maneira de me abraçar, sua maneira de olhar, no conforto que eu sentia só de ouvir a sua voz, mesmo de longe contando alguma história.
Muitas vezes fiquei te observando, observei tanto, mas tanto que não te esqueço.
Dizem que a gente ama o amor que alguém é capaz de sentir pela gente, logo a gente não ama a pessoa, a gente ama o que ela sente, logo a gente se ama, projetado no amor do outro.
Meu Deus? Freud? Socorro?
Som de telefone discando.
-Por favor, ele pode atender?
-Ele está muito ocupado, se revirando no túmulo, indignado com suas conclusões absurdas.
-Tudo bem, não quero atrapalhar.
Sabia que um dia ia acabar descobrindo isso: no fundo somos todos um bando de animais egoístas, famintos e carentes pelo amor alheio, sedentos por um olhar apaixonado, um abraço protetor e sexo fenomenal. Ah, mas nem era tão bom assim. Tudo bem, detalhes, o foco é o amor acima do bem e do mal, esquece o sexo agora.
Então, se o amor é uma projeção e não existe, por que eu acho que te amo assim?
Aliás, o que você estava fazendo no casamento da minha amiga que você nem conhece, e que nem chegou a casar porque eu estraguei o som? Quem te convidou para esse evento, que só estava acontecendo na minha cabeça? E que direito você tem de além de tudo, chegar emburrado no meu sonho? Nem convidado você foi, não precisava ter vindo, mas já que veio custava estar mais simpático?
Preciso mesmo ter uma conversa com o Freud.
Mais uma vez, a última prometo.
Som de telefone discando.
-Oi, desculpe a insistência, mas é que realmente preciso falar com ele.
-Ele está na linha.
- Alô Freud? Que bom que você me atendeu. Conto o sonho para ele.
- Primeiro, "pega leve vai" igual a propaganda da Nova Schin, mas a explicação é simples: você está exagerando, para variar. Funciona assim: a experiência subjetiva que aparece na consciência durante o sono é apenas o efeito de um desejo reprimido que se manifesta enquanto dormimos. A explicação poderia ser muito maior, afinal o assunto é extenso, mas acho que assim fica claro.
- Nossa, bem objetivo né? E quanto a um sentido para o meu sonho?
- Não faz sentido para mim, mas para você deve fazer.
Fiquei muda no telefone imaginário.
- Ok. Obrigada Seu Freud, obrigada e deculpe incomodá-lo.
- Que isso, imagina e olha não esqueça de " pegar leve".
Ele estava certo. Fazia sentido mesmo sem sentido algum. Tava tudo ali, inclusive ele não poderia mesmo estar com uma camisa de outra cor e com certeza o figurinista era meu inconsciente colocando uma certa ordem na desordem.
Alô Freud?
Som de telefone discando.
-Bom dia. Por favor o Freud?
-No momento ele não pode atender, quer deixar recado?
- Não, obrigada ligo mais tarde.
Essa noite sonhei com você, de novo outra vez, acordei com uma sensação estranha de saudade dolorida. Quando eu penso que estou curada vem um sonho pegadinha que mexe e remexe igual lambada. Sonho é uma coisa estranha. Faz uma salada na cabeça da gente. Pega uma coisa de lá, mistura com uma daqui, põe umas pessoas nada a ver, com outras tudo a ver e uma história maluca. Bata tudo com leite condensado e acorde com uma sensação estranha.
Ontem antes de dormir, vi uma propaganda que achei super bacana. Começa com uma reunião e bem na hora do início da apresentação, um dos executivos derruba uma xícara de café, desencadeando uma série de incidentes engraçados que deixam o chefe à beira de um ataque de nervos. Nesta hora aparece a turma do " Pega Leve" o cara só derrubou um café. Como sou muito ( mas muito) desastrada me identifiquei na hora. Adorei o roteiro e a direção. Passou. Outro cenário. Hora de dormir.
Sonhei que era casamento de uma amiga e bem na hora que ela ia entrar na igreja, eu derrubei alguma coisa do som e ela ia ter que entrar sem música, maior rolo no casamento por minha culpa. E o sonho seguiu até que já na festa, sem a noiva ter entrado na igreja, eis que ELE aparece com uma turma de amigos e uma camisa amarela horrorosa e cara de poucos amigos.E eu desesperada: Meu Deus o que ele tá fazendo aqui? Ele nem conhecia essa minha amiga que estaria casando, caso eu não tivesse atrapalhado e se tudo não fosse sonho.
Falei oi para ele e para os amigos que também apareceram para fazer figuração na minha saia justa imaginária e a loucura continuou.
Som de telefone discando.
Oi por favor, o Freud já pode atender?
-Ainda não.
-Você poderia me passar o e-mail dele?
-Sim, freud@céu.com.br ( o terra é só para quem tá vivo)
-Obrigada.
-De nada.
Talvez eu escreva um e-mail quem sabe não elucida um pouco minha cabeça?
Voltando a festa do casamento, alguém tava tentando resolver o negócio do som para a noiva entrar e enquanto isso eu estava na festa. Engraçado é que na festa tinha música, mas para a noiva entrar não tinha. O vestido dela era bege horrível, também a cara de pau não ia casar de branco, pensei isso também.
Tentei puxar um assunto, mas ele me ignorou e de repente eles passaram por mim e o amigo disse que eles estavam indo embora, porque estava demorando demais. Lembro de ter ficado arrasada, não queria que ele fosse embora, queria muito que ficasse, mas ele foi saindo.
Fui atrás, para pedir para ele ficar que já já ia começar, ia explicar que a culpa do atraso era minha mas que já estavam resolvendo. De novo a culpa era minha? Era e eu ia assumir.
-Mas quem estava resolvendo?
-A produção dos sonhos, oras. Engraçado os cortes de cenas, entro de um cenário para outro com a maior naturalidade, sem uma direção de arte, maior bagunça, bem cara da minha cabeça mesmo.
Preciso contratar um diretor urgente para botar uma certa ordem nos meus sonhos. Ah, e também um figurinista, essa camisa amarela dele e o vestido bege da minha amiga, estão destoando do glamour de quem anda fissurada pela Vogue. Bem que eu podia sonhar mais fashion.
Acordei bem quando estava chegando perto dele. Puf. De volta ao mundo real. Nãoooo, eu preciso voltar para o meu sonho, tento fechar os olhos e voltar, retomar, quero mergulhar no meu cerébro para ver se ele acha o que estava sonhando.
Não dá, Uma coisa realmente impossível é retomar os sonhos. Como seria pedir para você me esperar. Impossível.
Não, bem na hora que eu ia falar com ele, que o casamento ia começar de verdade, que a gente poderia até dançar juntos. Acabou de novo. Não dava para acreditar.
Acordei com o coração disparado, tinha te visto. Você estava ali. Foi sonho, mas parecia tão real.Por que eu ainda sonho com você? Por que ainda acordo triste e com saudades de você? Por que? Por que? Por que? Freud me atende seu desgraçado.
Tempo implacável, mudanças constantes, vida agitada e você nada de desaparecer para sempre dos meus pensamentos. O que será que eu preciso fazer? Galinha preta, vela verde de sete dias numa encruzilhada, com uma calcinha vermelha? Essas coisas malucas que essas pessoas mais malucas fazem? Já joguei papel no mar para Iemanjá. Já fui para terapia. Já te matei. Matei mesmo.Atirei no seu peito três vezes, igual em filme. Dei facadas no seu coração.Quebrei um prato na sua cabeça. Já te velei, já chorei por você, já te enterrei e nada de você morrer de verdade. Parece que tem sete vidas e sério, nem tão gato assim você é.
Tá, tá, eu acho vai, mas as minhas amigas não acham. Mas a verdade é uma só: nunca mais achei ninguém como você. Não tô falando de beleza não, era o seu jeito, a sua dureza, a sua doçura. Sua maneira de me abraçar, sua maneira de olhar, no conforto que eu sentia só de ouvir a sua voz, mesmo de longe contando alguma história.
Muitas vezes fiquei te observando, observei tanto, mas tanto que não te esqueço.
Dizem que a gente ama o amor que alguém é capaz de sentir pela gente, logo a gente não ama a pessoa, a gente ama o que ela sente, logo a gente se ama, projetado no amor do outro.
Meu Deus? Freud? Socorro?
Som de telefone discando.
-Por favor, ele pode atender?
-Ele está muito ocupado, se revirando no túmulo, indignado com suas conclusões absurdas.
-Tudo bem, não quero atrapalhar.
Sabia que um dia ia acabar descobrindo isso: no fundo somos todos um bando de animais egoístas, famintos e carentes pelo amor alheio, sedentos por um olhar apaixonado, um abraço protetor e sexo fenomenal. Ah, mas nem era tão bom assim. Tudo bem, detalhes, o foco é o amor acima do bem e do mal, esquece o sexo agora.
Então, se o amor é uma projeção e não existe, por que eu acho que te amo assim?
Aliás, o que você estava fazendo no casamento da minha amiga que você nem conhece, e que nem chegou a casar porque eu estraguei o som? Quem te convidou para esse evento, que só estava acontecendo na minha cabeça? E que direito você tem de além de tudo, chegar emburrado no meu sonho? Nem convidado você foi, não precisava ter vindo, mas já que veio custava estar mais simpático?
Preciso mesmo ter uma conversa com o Freud.
Mais uma vez, a última prometo.
Som de telefone discando.
-Oi, desculpe a insistência, mas é que realmente preciso falar com ele.
-Ele está na linha.
- Alô Freud? Que bom que você me atendeu. Conto o sonho para ele.
- Primeiro, "pega leve vai" igual a propaganda da Nova Schin, mas a explicação é simples: você está exagerando, para variar. Funciona assim: a experiência subjetiva que aparece na consciência durante o sono é apenas o efeito de um desejo reprimido que se manifesta enquanto dormimos. A explicação poderia ser muito maior, afinal o assunto é extenso, mas acho que assim fica claro.
- Nossa, bem objetivo né? E quanto a um sentido para o meu sonho?
- Não faz sentido para mim, mas para você deve fazer.
Fiquei muda no telefone imaginário.
- Ok. Obrigada Seu Freud, obrigada e deculpe incomodá-lo.
- Que isso, imagina e olha não esqueça de " pegar leve".
Ele estava certo. Fazia sentido mesmo sem sentido algum. Tava tudo ali, inclusive ele não poderia mesmo estar com uma camisa de outra cor e com certeza o figurinista era meu inconsciente colocando uma certa ordem na desordem.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Complicado seu Renato?
Certo como dois e dois são quatro, que quando Renato Russo escreveu essa frase “ o mundo anda tão complicado” ele trabalhava na Vila Olímpia chovia (muito) e ele tinha que atravessar a Faria Lima e a Teodoro Sampaio até chegar na Cristiano Viana, três horas depois de ter sido calorosamente esmagada num ônibus lotado. É mano, correria truta, pensa que aqui só tem textinho de vida boa na Europa? Voltinha em Paris e Topless em Barcelona? Nada, tem história triste também, história do povo e do brasileiro que não desiste nunca, apesar de tudo.
Complicado seu Renato? Só isso? Tem certeza? Foi bacana da parte dele, falar assim com essa sutileza. Eu teria sido bem mais baixa.
Pois é, as opções de volta para casa eram as seguintes: táxi parado,tipo uns R$100. Caminhada de bota de salto sujeita a milhares de banho de carros que passavam ou o Vila Madalena verdinho fofo, que para do lado da minha casa.
Optei pela terceira, eu e mais meio milhão de pessoas. Só que o trânsito tava tão, mas tão parado que era tipo meia quadra por hora e todo mundo sufocado, estressado, cansado. No ápice do caos cheguei a pensar que talvez, fosse um teste de Deus. Não tinha outra explicação. Mas, tudo bem que eu sou egocêntrica, mas Deus, do alto da sua grandeza não ia fazer isso de colocar milhares de neguinhos amassados e impacientes num trânsito filho da puta só para me testar né? Certeza que não. Posso ouvir um coro de gente gritando: o mundo não gira em torno do seu umbigo sabia?
Olha, se eu não sabia, agora tô sabendo. Nada pessoal, estamos todos no mesmo barco, quer dizer, no mesmo ônibus. E nada do negócio andar, li meu livrinho Woody Allen ( adultérios Coleção L&M Pocket) escutei todas as músicas do I-pod, de Julieta Venegas a Black Eyed Peas. E nada de chegar, todo mundo impaciente pedindo para abrir a porta, juro que um pessoal abandonou tudo e saiu caminhando, sei lá para onde. Celulares não paravam de tocar e as pessoas não paravam de anunciar o apocalipse e eu pensando: Alá perdi a novela de novo.
Tudo isso porque choveu. E o Kassab proibindo cigarro meu? Dá para se conformar com uma coisa dessas? A cidade alagada, parada, desenfreada e o bonito preocupado cm pulmões alheios, ah, faz favor vai. Deixa que pulmão cada um cuida do seu, vamos tratar de melhorar o ar cidade de uma maneira geral. Inclusive, tenho um amigo que tem umas soluções brilhantes para a limpeza do Tietê.
Bom Kassab, também não é nada pessoal não viu? Coitado gente, nem tô culpando ele( é que tô realmente puta com essa lei)se eu fosse a prefeita, até eu me mandava daqui. Salve-se quem puder. Isso aqui é a porta de entrada para o inferno em dia normal e o passo de entrada em dia que chove. É isso que é.
Bom se fosse mesmo o fim do mundo, como estava sendo proclamado eu tava tranqüila. Pensei comigo,vou olhar bem cínica para a cara do Diabo e falar: Meu querido, inferno é SPA para quem veio de São Paulo. Lá e correria geral mano cheio de tretas fortes. E sorrindo acenderia um cigarro no meio de todo mundo e jogaria a fumaça na cara de quem eu bem entendesse.
Daí, nego (que nem sente na pele as emoções) vem do nada concluir que eu sou estressada demais. Vê se pode uma dessas? Estressada eu? Imagina impressão sua.
E nem sentar num bar e fumar meu cigarro em paz eu posso mais. Tem certeza que é só complicado Seu Renato?
Esse é um texto especial dedicado a quem virou as costas e se mandou daqui. Uma salva de palmas para quem deu um basta para tudo isso e foi ser feliz em outro lugar, ganhando menos por um lado e provavelmente muito mais por outro.
Minha sincera admiração.
Complicado seu Renato? Só isso? Tem certeza? Foi bacana da parte dele, falar assim com essa sutileza. Eu teria sido bem mais baixa.
Pois é, as opções de volta para casa eram as seguintes: táxi parado,tipo uns R$100. Caminhada de bota de salto sujeita a milhares de banho de carros que passavam ou o Vila Madalena verdinho fofo, que para do lado da minha casa.
Optei pela terceira, eu e mais meio milhão de pessoas. Só que o trânsito tava tão, mas tão parado que era tipo meia quadra por hora e todo mundo sufocado, estressado, cansado. No ápice do caos cheguei a pensar que talvez, fosse um teste de Deus. Não tinha outra explicação. Mas, tudo bem que eu sou egocêntrica, mas Deus, do alto da sua grandeza não ia fazer isso de colocar milhares de neguinhos amassados e impacientes num trânsito filho da puta só para me testar né? Certeza que não. Posso ouvir um coro de gente gritando: o mundo não gira em torno do seu umbigo sabia?
Olha, se eu não sabia, agora tô sabendo. Nada pessoal, estamos todos no mesmo barco, quer dizer, no mesmo ônibus. E nada do negócio andar, li meu livrinho Woody Allen ( adultérios Coleção L&M Pocket) escutei todas as músicas do I-pod, de Julieta Venegas a Black Eyed Peas. E nada de chegar, todo mundo impaciente pedindo para abrir a porta, juro que um pessoal abandonou tudo e saiu caminhando, sei lá para onde. Celulares não paravam de tocar e as pessoas não paravam de anunciar o apocalipse e eu pensando: Alá perdi a novela de novo.
Tudo isso porque choveu. E o Kassab proibindo cigarro meu? Dá para se conformar com uma coisa dessas? A cidade alagada, parada, desenfreada e o bonito preocupado cm pulmões alheios, ah, faz favor vai. Deixa que pulmão cada um cuida do seu, vamos tratar de melhorar o ar cidade de uma maneira geral. Inclusive, tenho um amigo que tem umas soluções brilhantes para a limpeza do Tietê.
Bom Kassab, também não é nada pessoal não viu? Coitado gente, nem tô culpando ele( é que tô realmente puta com essa lei)se eu fosse a prefeita, até eu me mandava daqui. Salve-se quem puder. Isso aqui é a porta de entrada para o inferno em dia normal e o passo de entrada em dia que chove. É isso que é.
Bom se fosse mesmo o fim do mundo, como estava sendo proclamado eu tava tranqüila. Pensei comigo,vou olhar bem cínica para a cara do Diabo e falar: Meu querido, inferno é SPA para quem veio de São Paulo. Lá e correria geral mano cheio de tretas fortes. E sorrindo acenderia um cigarro no meio de todo mundo e jogaria a fumaça na cara de quem eu bem entendesse.
Daí, nego (que nem sente na pele as emoções) vem do nada concluir que eu sou estressada demais. Vê se pode uma dessas? Estressada eu? Imagina impressão sua.
E nem sentar num bar e fumar meu cigarro em paz eu posso mais. Tem certeza que é só complicado Seu Renato?
Esse é um texto especial dedicado a quem virou as costas e se mandou daqui. Uma salva de palmas para quem deu um basta para tudo isso e foi ser feliz em outro lugar, ganhando menos por um lado e provavelmente muito mais por outro.
Minha sincera admiração.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Vanessa pede um guaraná Tarctica
Sério, hoje é um daqueles dias surreais que contando ninguém acredita. Mas perseverança é uma coisa que carrego no dna, então conto assim mesmo.
Primeiro ontem, vi uma propaganda que a Claudia Leite fala guaraná Tarctica e todo mundo canta junto numa boa. Ainda bem né que a gente é inteligente e liga o tártica ao Antárctica e a propaganda é em tom esverdeado, fica até fácil, vai por associação. Ah é guaraná Antarctica e a gente fica ali se achando genial.
Tudo bem que tem jingle que é foda de rimar, eu passo por isso, mas cortar o An do Tarctica é um pouco demais não? Tá. Dia seguinte.
Para começar, um atraso de horas, num trânsito desgraçado, filho da puta, que só não choro para não borrar a maquiagem, não tenho bem certeza se meu rímel é a prova d’agua, então melhor não arriscar e praticar o grito mudo mesmo.
Aí eu me pergunto: o que adianta acordar no horário e de bom humor, se mesmo assim nunca vou chegar no horário e nem de bom humor? Não adianta nada. Chego atrasada (claro) para uma reunião que sério, deu vontade de gritar e falar: ei gente a louca da história não era eu?
Cliente super tranquilo, mas no maior papo estranho conta, que só faz xixi na grama do quintal. Até aí, estranho, mas tudo bem, ecológico, até comentam de uma propaganda que manda fazer xixi no ralo para não gastar água dando descarga. E o papoi foi evoluindo, evoluindo e eu com uma cara de minha nossa senhora quequéisso? De repente ele fala:
-Sabe que um médico me recomendou tomar o primeiro xixi toda manhã. Dizem que é o melhor remédio que existe. Fiquei nude. ( bege, tendência nude, logo fiquei nude).
Ele quis dizer que tomar o primeiro xixi pela manhã é tipo tomar Biotônico Fontoura. Faz bem para saúde e deixa forte, minha mente nessa hora deu uma viajada e eu perdi um pedaço.Oi? Devo estar tendo alucinações, ele não está falando isso, minha imaginação tá inventando, só para ter uma coisa engraçada para postar no blog. Mas daí a atendimento complementou:
-É verdade, dizem que os lutadores de Vale Tudo sempre tomam. Aí parece que todo mundo achou normal. Ah, então tá, se eles tomam,tá certo. Vontade que eu tive de sair da sala para rir e eles ali com a maior cara de “ tá tudo certo” estamos no 11º andar de uma bonita sala de reuniões de uma região nobre da cidade, apresentando campanhas e discutindo sobre tomar ou não o primeiro xixi pela manhã. Foi exatamente isso que sonhei para mim. Sem tirar nem por.
Ai chega meu chefe, que tinha saído para atender uma ligação no telefone sem fio da sala e entra tentando ( vejam bem) ENCAIXAR o telefone no mouse. Meu Deus. Isso é um mouse! E ele morre de rir e fala:
-Achei que fosse a base do telefone. Descontração total, até que não tá de todo ruim essa reunião. Mas nada de acabar a história do xixi vai longe e passa do meio dia, meu estômago começa a palpitar. Fome. Muita fome.
-Aprova logo uma linha e chega desse papo furado. Eu pedia em oração.
Até que aprovaram e começaram as despedidas, eu queria fugir, sumir, correr de fome . Aí dei um abraço tão caloroso no cliente que parecia que ele era um grande amigo ou sei lá, que eu tava até a fim dele, mas juro que foi na empolgação de “ graças ao bom Deus terminou.
Será que ele entendeu isso? Meu Deus será?
Tarde demais para sair para o almoço, resolvo pedir uma coisa para comer. Ligo em alguns lugares, anotado o pedido ela pergunta:
- Alguma coisa para beber?
-Suspiro e penso: exatamente a pergunta que eu queria para hoje.
-Um guaraná Tarctica.
-Oi?
-Ah, não tem, então pode ser o primeiro xixi de alguém, mas olha lá heim? O primeiro, senão o efeito não é o mesmo.
-Qual seu nome?
- Francine.
-Ok. Vanessa em 40 minutos seu pedido estará aí.
- Oi?? Alô? Não é Vanessa moç. Desligou.
Agora como gente? Como que eu falo Francine e a pessoa entende Vanessa?
Lógico que o cara que entrega ficou lá embaixo horas, porque não existe Vanessa aqui e ninguém ia associar com Francine. Não era tarctica de Antarctica. Era Francine e Vanessa. Nisso os 40 minutos viraram quase duas horas, quando fui almoçar, já tava sem fome de tanta coisa que aconteceu. Amanhã vou comprar um Biotônico para ficar mais forte para aguentar tudo isso. Bê, á, bá. Bê, e, bé. Bê, i, Bi...otônico Fontoura!
Primeiro ontem, vi uma propaganda que a Claudia Leite fala guaraná Tarctica e todo mundo canta junto numa boa. Ainda bem né que a gente é inteligente e liga o tártica ao Antárctica e a propaganda é em tom esverdeado, fica até fácil, vai por associação. Ah é guaraná Antarctica e a gente fica ali se achando genial.
Tudo bem que tem jingle que é foda de rimar, eu passo por isso, mas cortar o An do Tarctica é um pouco demais não? Tá. Dia seguinte.
Para começar, um atraso de horas, num trânsito desgraçado, filho da puta, que só não choro para não borrar a maquiagem, não tenho bem certeza se meu rímel é a prova d’agua, então melhor não arriscar e praticar o grito mudo mesmo.
Aí eu me pergunto: o que adianta acordar no horário e de bom humor, se mesmo assim nunca vou chegar no horário e nem de bom humor? Não adianta nada. Chego atrasada (claro) para uma reunião que sério, deu vontade de gritar e falar: ei gente a louca da história não era eu?
Cliente super tranquilo, mas no maior papo estranho conta, que só faz xixi na grama do quintal. Até aí, estranho, mas tudo bem, ecológico, até comentam de uma propaganda que manda fazer xixi no ralo para não gastar água dando descarga. E o papoi foi evoluindo, evoluindo e eu com uma cara de minha nossa senhora quequéisso? De repente ele fala:
-Sabe que um médico me recomendou tomar o primeiro xixi toda manhã. Dizem que é o melhor remédio que existe. Fiquei nude. ( bege, tendência nude, logo fiquei nude).
Ele quis dizer que tomar o primeiro xixi pela manhã é tipo tomar Biotônico Fontoura. Faz bem para saúde e deixa forte, minha mente nessa hora deu uma viajada e eu perdi um pedaço.Oi? Devo estar tendo alucinações, ele não está falando isso, minha imaginação tá inventando, só para ter uma coisa engraçada para postar no blog. Mas daí a atendimento complementou:
-É verdade, dizem que os lutadores de Vale Tudo sempre tomam. Aí parece que todo mundo achou normal. Ah, então tá, se eles tomam,tá certo. Vontade que eu tive de sair da sala para rir e eles ali com a maior cara de “ tá tudo certo” estamos no 11º andar de uma bonita sala de reuniões de uma região nobre da cidade, apresentando campanhas e discutindo sobre tomar ou não o primeiro xixi pela manhã. Foi exatamente isso que sonhei para mim. Sem tirar nem por.
Ai chega meu chefe, que tinha saído para atender uma ligação no telefone sem fio da sala e entra tentando ( vejam bem) ENCAIXAR o telefone no mouse. Meu Deus. Isso é um mouse! E ele morre de rir e fala:
-Achei que fosse a base do telefone. Descontração total, até que não tá de todo ruim essa reunião. Mas nada de acabar a história do xixi vai longe e passa do meio dia, meu estômago começa a palpitar. Fome. Muita fome.
-Aprova logo uma linha e chega desse papo furado. Eu pedia em oração.
Até que aprovaram e começaram as despedidas, eu queria fugir, sumir, correr de fome . Aí dei um abraço tão caloroso no cliente que parecia que ele era um grande amigo ou sei lá, que eu tava até a fim dele, mas juro que foi na empolgação de “ graças ao bom Deus terminou.
Será que ele entendeu isso? Meu Deus será?
Tarde demais para sair para o almoço, resolvo pedir uma coisa para comer. Ligo em alguns lugares, anotado o pedido ela pergunta:
- Alguma coisa para beber?
-Suspiro e penso: exatamente a pergunta que eu queria para hoje.
-Um guaraná Tarctica.
-Oi?
-Ah, não tem, então pode ser o primeiro xixi de alguém, mas olha lá heim? O primeiro, senão o efeito não é o mesmo.
-Qual seu nome?
- Francine.
-Ok. Vanessa em 40 minutos seu pedido estará aí.
- Oi?? Alô? Não é Vanessa moç. Desligou.
Agora como gente? Como que eu falo Francine e a pessoa entende Vanessa?
Lógico que o cara que entrega ficou lá embaixo horas, porque não existe Vanessa aqui e ninguém ia associar com Francine. Não era tarctica de Antarctica. Era Francine e Vanessa. Nisso os 40 minutos viraram quase duas horas, quando fui almoçar, já tava sem fome de tanta coisa que aconteceu. Amanhã vou comprar um Biotônico para ficar mais forte para aguentar tudo isso. Bê, á, bá. Bê, e, bé. Bê, i, Bi...otônico Fontoura!
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Aluga-se
Quando eu quero alguma coisa, eu quero essa coisa, não importa se isso vai parecer com que eu seja uma cabeça dura dessas que dá milhões de murros em pontas de facas afiadas, ou uma mimada idiota. Isso serve para homens e sapatos. Para apartamentos ou rumos da vida. Quando eu quero, simplesmente quero. Blá, blá. Todo mundo diz isso né? 99% das pessoas nesse mundo se gaba disso, eu sei, mas quanto dessas aí que fazem parte das estatísticas ( adoro colocar porcentagem passa tanta credibilidade), então quanta dessas andam passando pelo que eu passo, sem mandar todo mundo para o inferno ou para puta que lhes pariu? Quantos?
Não tô passando fome, nem frio, mas raiva e uma baita frustração, olha, melhor nem comentar. Mas como me disse John Fante dia desses, numa de nossas conversas literárias: “ o futuro minha querida é algo ilimitado.” Tô me apegando nisso, como quem acha um único galho perdido numa correnteza desenfreada e tem certeza que vai se salvar, só por segurar em algum lugar.
Pensar no ilimitado, não dá aquela sensação que a gente pode tudo? Qualquer coisa, de um cara sensacional até um apartamento na rua que a gente mais gosta dessa cidade, que tanta gente não gosta. Pois é, também estou na dúvida, será que gosto mesmo? Mas meu foco não me deixa desistir. Enquanto não tiver certeza, nada , absolutamente nada me desvia do caminho, até tropeço porque sou humana, mas sigo firme no meu propósito. Sei que tô sendo dramática, mas gente, por favor né? Essa é a minha maior especialidade, existem outras também, mas aí meus caros, só para os mais íntimos, não dá para contar aqui. (rs).
Desde que me mudei para São Paulo, moro na Rua Cristiano Viana, morei numa outra, mas não vale a citação. A Cristiano é meio minha , morei com uma amiga, com um amigo, com vários amigos, cachorros, tomei chopes no Viana, andei sábados ao entardecer e me sinto meio dona das redondezas. E desde o dia que pisei nessa rua soube o prédio que queria morar. Ele me lembrava algo que não sei o que é, de tijolinho a vista com sacada, exatamente em frente a antiga Loducca. Sabem?
Hoje, moro ao lado, mas quero ele, quero aquele, quero morar nele. Semana passada tive a mais bela das notícias. Um dos proprietários estava saindo e seria meu o apartamento do predinho charmoso com sacada florida. Ah, que felicidade, era só mandar a papelada, assinar e dar adeus a todas as mordomias que ando tendo. Suspirei feliz e aliviada, com essa mudança minha conta bancária melhoraria muito, quantos novos planos poderiam ser feitos. Iá nas alturas da minha sacada atual eu olhava para ele, e ele olhava para mim, enamorados de um futuro feliz.
Já imaginei a estante cheia de novos livros, sim Fante você sempre estará comigo, assim como Bukowski, Salinger, Clarice, Sylvia, Hemingway,Falkner e tantos outros. A poltrona de bolinhas, o sofá branco com almofadas fofinhas, a escrivaninha lotada de anotações, a luminária imaginária, o cinzeiro espanhol, a parede azul cheia de gravuras do Salvador Dalí, a tv que grava a novela chata, os vinhos, as taças, a camona, as flores na janela, o lap top fininho e o cheiro de alecrim da Le lis Blanc. Finalmente estaríamos reunidos no nosso provisório e delicioso lugar, onde a solidão (quando aparece), já não faz mais diferença nenhuma, ela nem é mais assustadora e sim uma consequência provisória e natural de uma vida tumultuada e de um futuro ilimitado que eu escolhi, né Fante?.
Oras, quem liga para isso? Eu moraria no prédinho que sempre achei que seria meu e isto bastava para o momento.
Só que, enquanto fazia planos e olhava para sacada apaixonada, algum filho da puta passou na minha frente e mandou a papelada antes de mim. A corretora me informou.
-Como? Por favor, a senhora repete, mas espera que eu quero sentar antes.
-Desculpe, mas a documentação foi enviada por um novo morador e não está mais disponível para a locação.
-Não, mas a senhora não está entendo, eu QUERO, é mais do que querer, é querer muito é precisar, é sentir, sei lá deve ser uma coisa de vidas passadas, devo ter sido feliz ali e quero ser de novo.
Sinto muito, mas não posso fazer nada, posso achar outro na região, talvez até um mais legal que aquele. Fiquei lembrando o endereço da imobiliária para contratar uma galera lá do Rio para botar fogo na tal documentação idiota que enviaram na minha frente. Derrubam até helicóptero, colocar fogo em papelada deve ser mole.
Pela minha voz de desapontamento, ela disse querendo ajudar: com certeza, devo achar melhores para você. Estava claro que ela estava tentando me iludir, mas até deixei, faz tanto tempo que ninguém me ilude. Até concordei,dando palpites num evidente sinal de recuperação.
-Pode ser na Rua Lisboa, falei animadinha, adoro aquela rua também e gosto muito da João Moura, da Capote Valente, da Alves Guimarães, mas que de preferência seja perto da Benedito Calixto, não abro mão de um acarajé no sábado e adoro andar na feirinha de antiguidades, não compro nada, mas cada personagem bacana anda por ali.
- Pode deixar, ela me disse em tom de “ vamos lá a gente vai conseguir”.
Estou esperando, quero por à prova essa minha mania de querer, se aparecer algum melhor, prometo rever muitas coisas. Às vezes, querer por querer não leva nada a não ser conseguir por conseguir.
E ai vale a pena? Só não abro mão da região, mas por ali tudo é encantador, até os assaltantes são educados e dá para sentir o perfume que exala da Oscar Freire e suas novas coleções. Tô tentando me animar, vejamos o que o futuro me reserva.
Ele era um charme, mas quem sabe não aparece um com muito mais que isso para me oferecer? Isso sempre acontece no amor, vai um e vem outro melhor, vai que com apartamento também não rola algo parecido.
Não tô passando fome, nem frio, mas raiva e uma baita frustração, olha, melhor nem comentar. Mas como me disse John Fante dia desses, numa de nossas conversas literárias: “ o futuro minha querida é algo ilimitado.” Tô me apegando nisso, como quem acha um único galho perdido numa correnteza desenfreada e tem certeza que vai se salvar, só por segurar em algum lugar.
Pensar no ilimitado, não dá aquela sensação que a gente pode tudo? Qualquer coisa, de um cara sensacional até um apartamento na rua que a gente mais gosta dessa cidade, que tanta gente não gosta. Pois é, também estou na dúvida, será que gosto mesmo? Mas meu foco não me deixa desistir. Enquanto não tiver certeza, nada , absolutamente nada me desvia do caminho, até tropeço porque sou humana, mas sigo firme no meu propósito. Sei que tô sendo dramática, mas gente, por favor né? Essa é a minha maior especialidade, existem outras também, mas aí meus caros, só para os mais íntimos, não dá para contar aqui. (rs).
Desde que me mudei para São Paulo, moro na Rua Cristiano Viana, morei numa outra, mas não vale a citação. A Cristiano é meio minha , morei com uma amiga, com um amigo, com vários amigos, cachorros, tomei chopes no Viana, andei sábados ao entardecer e me sinto meio dona das redondezas. E desde o dia que pisei nessa rua soube o prédio que queria morar. Ele me lembrava algo que não sei o que é, de tijolinho a vista com sacada, exatamente em frente a antiga Loducca. Sabem?
Hoje, moro ao lado, mas quero ele, quero aquele, quero morar nele. Semana passada tive a mais bela das notícias. Um dos proprietários estava saindo e seria meu o apartamento do predinho charmoso com sacada florida. Ah, que felicidade, era só mandar a papelada, assinar e dar adeus a todas as mordomias que ando tendo. Suspirei feliz e aliviada, com essa mudança minha conta bancária melhoraria muito, quantos novos planos poderiam ser feitos. Iá nas alturas da minha sacada atual eu olhava para ele, e ele olhava para mim, enamorados de um futuro feliz.
Já imaginei a estante cheia de novos livros, sim Fante você sempre estará comigo, assim como Bukowski, Salinger, Clarice, Sylvia, Hemingway,Falkner e tantos outros. A poltrona de bolinhas, o sofá branco com almofadas fofinhas, a escrivaninha lotada de anotações, a luminária imaginária, o cinzeiro espanhol, a parede azul cheia de gravuras do Salvador Dalí, a tv que grava a novela chata, os vinhos, as taças, a camona, as flores na janela, o lap top fininho e o cheiro de alecrim da Le lis Blanc. Finalmente estaríamos reunidos no nosso provisório e delicioso lugar, onde a solidão (quando aparece), já não faz mais diferença nenhuma, ela nem é mais assustadora e sim uma consequência provisória e natural de uma vida tumultuada e de um futuro ilimitado que eu escolhi, né Fante?.
Oras, quem liga para isso? Eu moraria no prédinho que sempre achei que seria meu e isto bastava para o momento.
Só que, enquanto fazia planos e olhava para sacada apaixonada, algum filho da puta passou na minha frente e mandou a papelada antes de mim. A corretora me informou.
-Como? Por favor, a senhora repete, mas espera que eu quero sentar antes.
-Desculpe, mas a documentação foi enviada por um novo morador e não está mais disponível para a locação.
-Não, mas a senhora não está entendo, eu QUERO, é mais do que querer, é querer muito é precisar, é sentir, sei lá deve ser uma coisa de vidas passadas, devo ter sido feliz ali e quero ser de novo.
Sinto muito, mas não posso fazer nada, posso achar outro na região, talvez até um mais legal que aquele. Fiquei lembrando o endereço da imobiliária para contratar uma galera lá do Rio para botar fogo na tal documentação idiota que enviaram na minha frente. Derrubam até helicóptero, colocar fogo em papelada deve ser mole.
Pela minha voz de desapontamento, ela disse querendo ajudar: com certeza, devo achar melhores para você. Estava claro que ela estava tentando me iludir, mas até deixei, faz tanto tempo que ninguém me ilude. Até concordei,dando palpites num evidente sinal de recuperação.
-Pode ser na Rua Lisboa, falei animadinha, adoro aquela rua também e gosto muito da João Moura, da Capote Valente, da Alves Guimarães, mas que de preferência seja perto da Benedito Calixto, não abro mão de um acarajé no sábado e adoro andar na feirinha de antiguidades, não compro nada, mas cada personagem bacana anda por ali.
- Pode deixar, ela me disse em tom de “ vamos lá a gente vai conseguir”.
Estou esperando, quero por à prova essa minha mania de querer, se aparecer algum melhor, prometo rever muitas coisas. Às vezes, querer por querer não leva nada a não ser conseguir por conseguir.
E ai vale a pena? Só não abro mão da região, mas por ali tudo é encantador, até os assaltantes são educados e dá para sentir o perfume que exala da Oscar Freire e suas novas coleções. Tô tentando me animar, vejamos o que o futuro me reserva.
Ele era um charme, mas quem sabe não aparece um com muito mais que isso para me oferecer? Isso sempre acontece no amor, vai um e vem outro melhor, vai que com apartamento também não rola algo parecido.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Lembranças do céu sempre azul de Barcelona
Todos os dias, fico tentando escrever um texto que demonstre, que exale, que descreva de alguma forma tudo que senti, nos dias que passei com vocês. Mas tudo que consigo é fechar os olhos e lembrar. Tanto que, acabei desistindo de escrever do jeito como queria, tipo uma matéria da revista Viagem&Turismo, cheio de nome de ruas, restaurantes, museus e blás, blás blás.
Nada disso. Aliás, para que isso? Mudei de idéia fechei os olhos e fui indo, numa inconstância de bons momentos vividos, já que as sensações não se descrevem tão facilmente e são mesmo pessoais e intranferíveis, igualzinho senha de banco.
Lembrei de vocês lá no aeroporto, com aquelas carinhas mais lindas do mundo me esperando com tanta amizade guardada, com tanta coisa para ser compartilhada. De muitos vestidos a tantos planos(que somos bem reais e a moda, gira como um dos temas principais da nossa felicidade).Lembrei do meu aniversário no Mediterrâneo ( esse bar é indicação) a gente se arrumando tanto para ir num bar descolado e se entediando tanto no tal e no final a gente se divertindo nesse tão mais simples. O All Star do cantor, a máquina com design único, as fotos sem flashes que a Carol insiste em tirar, as risadas e, o adorável vendedor de rosas, que aliás, tenho como personagem preferido. Era meu aniversário, estávamos comemorando e cantando ” Dulce como vinho e salgada como mar” e ele passou por mim com o buquê, apenas para vender as rosas pelo bar, e sem sequer saber da data, quis me presentear, assim como que por intuição. Lembro da música alta e ele só mexendo os lábios: Muy Bela. Estendeu as mãos e me deu algumas pétalas, sei que se pudesse, teria me dado uma floricultura, só pelo olhar e gentileza com que me ofereceu. Com esse gesto, ele deixou para trás todos os homens que passaram pela minha vida até hoje tentando me agradar. Porque se a sinceridade existe, ela estava no olhar daquele vendedor de rosas do meu bar preferido da cidade. Na minha cabeça fantasiosa, virou cena de filme, um clássico do cinema mudo, com música alta e cores vibrantes. Lembro da gente indo embora, da briga sem pé nem cabeça da saída,das fotos de madrugada na rua Passeio de Gracia ( a rua mais cheia de lojas,ai nem posso lembrar)E eu reclamando sem parar que a saia linda, nova, florida e balonê me engordava. E engordava mesmo: as fotos comprovam.Lembro de estar num dia sozinha numa praia, pensando no tal conceito da felicidade que tanto debatemos antes. Era lá? Era cá? Onde a encontraríamos por inteiro? Perguntas nossas e minhas, na solidão da música alta do meu I-pod, sobre o céu azul de Barcelona. E mais tarde quando voltava de ônibus depois de um dia cansativo, não fazendo absolutamente nada a não ser pensar na vida deitada na areia de topless ( proposital) e olhando para o mar. Eis que, a resposta da minha pergunta se materializou na forma de um casal que passei o trajeto todo observando. Ela era loira e chique, ele era charmoso e dedicado, eram mais velhos e estavam fazendo planos rápidos, sentadinhos de mãos dadas. Ele segurava a mão dela com uma delicadeza e ela segurava a dele com cumplicidade. E eles se alternavam entre a doçura de um e imponência do outro, num piscar de olhos os papéis eram trocados, ora ela compreendia, ora ele discordava e vice e versa, tudo isso ensaiado numa sincronia de anos (provavelmente). Enquanto os observava a resposta veio clara como o céu na minha cabeça, era aquilo, exatamente aquilo que eu desejava, esse era o meu modelo de felicidade, na sua mais plena simplicidade, dessas possíveis e que sem querer se encontram por aí. Um amor com alternância compartilhada e mãos dadas, era meu conceito, como dizia a letra da música “ Porque nessa vida, não quero passar um dia sem você” Lembram que tocou? E a gente até cantou. Em parte tive minha resposta. Lembro daquele domingo no passeio pela La Rambla Catalunha, da fonte que o cachorro quase estragou minha foto, do tripê, das duas se intercalando entre Tia Tê e a Tia Dal nas discussões.
Lembro do Marc contando de detalhes da guerra da Espanha, com aquele propriedade de quem sofreu as consequências e sabia do que tava falando, só que falava rápido demais, e em outra língua, fiz o maior esforço do mundo para entender e acho que entendi, o suficiente para admirar. Lembro do pão com tomate, dos mariscos, do camarão, da cerveja, do cigarro, das histórias, e do calor numa brisa abafada, e uma cidade lotada de lambretas charmosas espalhadas pelas ruas, até da verde água que em breve vai pertencer a Carol. Lembro do Dalí ( Salvador) que o Marc me reapresentou sobre outro prisma e com quem agora, tenho imensa intimidade. Seríamos bons amigos, caso ele ainda estivesse nesse mundo, surrealismo nunca me pareceu tão simples e a loucura pode mesmo ser genial.Lembro do barco, do mar, do olhar do Vitor, das observações do Bruno e da sagacidade única da Clarita. Lembro daquele cabelinho loiro brilhante e daquele maiozinho chique, de quem vai dar nó em pingo d água quando crescer, ouvir Cake e debochar dos homens, com toda certeza do mundo.Lembro bem, muito bem, do pai do Marc, dos gestos, das roupas de linho, da postura e do encantamento que senti por ele a primeira vista. Eu entendia tão pouco o que ele dizia, mas parecia saber tão bem o que ele pensava: só de olhar . A cultura exalava, a elegância sobressaia e a personalidade era marcante. Nessas horas, a barreira com a língua fica pequena e a compreensão parece mundial. Dava para entender tudo, sem entender nada. Dele, só vou lembrar mesmo, porque quando voltar, infelizmente ele não estará mais por lá.
Lembro do meu deslumbramento com as lojas, das adoradas rebaixas, da vontade de comprar tudo. Louvado seja o Euro,o Visa e a minha carteira azul turquesa linda, que para aquele momento tinha tudo que eu precisava.
Lembro do vestido vermelho de bolinhas da Kyra numa noite quente, entre conversas animadas e picantes. Lembro das comidinhas da Ander, que como diz o Clebinho, transforma qualquer refeição num banquete. Lembro da Catedral e da fonte de São Jorge, onde eu e a Carol ( a guia mais completa do mundo), jogamos moedas e fizemos pedidos, que em breve vão se concretizar, porque pedimos com aquele fé profunda, tão profunda, que São Jorge não vai se recusar a atender.
Lembro dos cigarros compartilhados na sacada com a Ander, a melhor amiga que alguém pode ter. Parece que o tempo não passa para nossos planos e a gente continua fazendo tantos. E aliás, só vamos nos dando conta que estamos no caminho , quando percebemos entre uma conversa e outra que a maioria deles já até se concretizaram. Já pensou nisso Ander? Lembro da cor de Barcelona, uma espécie de um filme cult que vai e volta na minha cabeça sem parar. Uma mistura de arquitetura tão antiga, com pessoas e atitudes tão modernas que resulta num lugar para AMAR.
Que esses personagens mantenham-se vivos e intactos na minha memória, com toda vivacidade que lhes é tão peculiar. Como são intensos os espanhóis.
Escrevo para não esquecer e esqueço para poder lembrar.
Nada disso. Aliás, para que isso? Mudei de idéia fechei os olhos e fui indo, numa inconstância de bons momentos vividos, já que as sensações não se descrevem tão facilmente e são mesmo pessoais e intranferíveis, igualzinho senha de banco.
Lembrei de vocês lá no aeroporto, com aquelas carinhas mais lindas do mundo me esperando com tanta amizade guardada, com tanta coisa para ser compartilhada. De muitos vestidos a tantos planos(que somos bem reais e a moda, gira como um dos temas principais da nossa felicidade).Lembrei do meu aniversário no Mediterrâneo ( esse bar é indicação) a gente se arrumando tanto para ir num bar descolado e se entediando tanto no tal e no final a gente se divertindo nesse tão mais simples. O All Star do cantor, a máquina com design único, as fotos sem flashes que a Carol insiste em tirar, as risadas e, o adorável vendedor de rosas, que aliás, tenho como personagem preferido. Era meu aniversário, estávamos comemorando e cantando ” Dulce como vinho e salgada como mar” e ele passou por mim com o buquê, apenas para vender as rosas pelo bar, e sem sequer saber da data, quis me presentear, assim como que por intuição. Lembro da música alta e ele só mexendo os lábios: Muy Bela. Estendeu as mãos e me deu algumas pétalas, sei que se pudesse, teria me dado uma floricultura, só pelo olhar e gentileza com que me ofereceu. Com esse gesto, ele deixou para trás todos os homens que passaram pela minha vida até hoje tentando me agradar. Porque se a sinceridade existe, ela estava no olhar daquele vendedor de rosas do meu bar preferido da cidade. Na minha cabeça fantasiosa, virou cena de filme, um clássico do cinema mudo, com música alta e cores vibrantes. Lembro da gente indo embora, da briga sem pé nem cabeça da saída,das fotos de madrugada na rua Passeio de Gracia ( a rua mais cheia de lojas,ai nem posso lembrar)E eu reclamando sem parar que a saia linda, nova, florida e balonê me engordava. E engordava mesmo: as fotos comprovam.Lembro de estar num dia sozinha numa praia, pensando no tal conceito da felicidade que tanto debatemos antes. Era lá? Era cá? Onde a encontraríamos por inteiro? Perguntas nossas e minhas, na solidão da música alta do meu I-pod, sobre o céu azul de Barcelona. E mais tarde quando voltava de ônibus depois de um dia cansativo, não fazendo absolutamente nada a não ser pensar na vida deitada na areia de topless ( proposital) e olhando para o mar. Eis que, a resposta da minha pergunta se materializou na forma de um casal que passei o trajeto todo observando. Ela era loira e chique, ele era charmoso e dedicado, eram mais velhos e estavam fazendo planos rápidos, sentadinhos de mãos dadas. Ele segurava a mão dela com uma delicadeza e ela segurava a dele com cumplicidade. E eles se alternavam entre a doçura de um e imponência do outro, num piscar de olhos os papéis eram trocados, ora ela compreendia, ora ele discordava e vice e versa, tudo isso ensaiado numa sincronia de anos (provavelmente). Enquanto os observava a resposta veio clara como o céu na minha cabeça, era aquilo, exatamente aquilo que eu desejava, esse era o meu modelo de felicidade, na sua mais plena simplicidade, dessas possíveis e que sem querer se encontram por aí. Um amor com alternância compartilhada e mãos dadas, era meu conceito, como dizia a letra da música “ Porque nessa vida, não quero passar um dia sem você” Lembram que tocou? E a gente até cantou. Em parte tive minha resposta. Lembro daquele domingo no passeio pela La Rambla Catalunha, da fonte que o cachorro quase estragou minha foto, do tripê, das duas se intercalando entre Tia Tê e a Tia Dal nas discussões.
Lembro do Marc contando de detalhes da guerra da Espanha, com aquele propriedade de quem sofreu as consequências e sabia do que tava falando, só que falava rápido demais, e em outra língua, fiz o maior esforço do mundo para entender e acho que entendi, o suficiente para admirar. Lembro do pão com tomate, dos mariscos, do camarão, da cerveja, do cigarro, das histórias, e do calor numa brisa abafada, e uma cidade lotada de lambretas charmosas espalhadas pelas ruas, até da verde água que em breve vai pertencer a Carol. Lembro do Dalí ( Salvador) que o Marc me reapresentou sobre outro prisma e com quem agora, tenho imensa intimidade. Seríamos bons amigos, caso ele ainda estivesse nesse mundo, surrealismo nunca me pareceu tão simples e a loucura pode mesmo ser genial.Lembro do barco, do mar, do olhar do Vitor, das observações do Bruno e da sagacidade única da Clarita. Lembro daquele cabelinho loiro brilhante e daquele maiozinho chique, de quem vai dar nó em pingo d água quando crescer, ouvir Cake e debochar dos homens, com toda certeza do mundo.Lembro bem, muito bem, do pai do Marc, dos gestos, das roupas de linho, da postura e do encantamento que senti por ele a primeira vista. Eu entendia tão pouco o que ele dizia, mas parecia saber tão bem o que ele pensava: só de olhar . A cultura exalava, a elegância sobressaia e a personalidade era marcante. Nessas horas, a barreira com a língua fica pequena e a compreensão parece mundial. Dava para entender tudo, sem entender nada. Dele, só vou lembrar mesmo, porque quando voltar, infelizmente ele não estará mais por lá.
Lembro do meu deslumbramento com as lojas, das adoradas rebaixas, da vontade de comprar tudo. Louvado seja o Euro,o Visa e a minha carteira azul turquesa linda, que para aquele momento tinha tudo que eu precisava.
Lembro do vestido vermelho de bolinhas da Kyra numa noite quente, entre conversas animadas e picantes. Lembro das comidinhas da Ander, que como diz o Clebinho, transforma qualquer refeição num banquete. Lembro da Catedral e da fonte de São Jorge, onde eu e a Carol ( a guia mais completa do mundo), jogamos moedas e fizemos pedidos, que em breve vão se concretizar, porque pedimos com aquele fé profunda, tão profunda, que São Jorge não vai se recusar a atender.
Lembro dos cigarros compartilhados na sacada com a Ander, a melhor amiga que alguém pode ter. Parece que o tempo não passa para nossos planos e a gente continua fazendo tantos. E aliás, só vamos nos dando conta que estamos no caminho , quando percebemos entre uma conversa e outra que a maioria deles já até se concretizaram. Já pensou nisso Ander? Lembro da cor de Barcelona, uma espécie de um filme cult que vai e volta na minha cabeça sem parar. Uma mistura de arquitetura tão antiga, com pessoas e atitudes tão modernas que resulta num lugar para AMAR.
Que esses personagens mantenham-se vivos e intactos na minha memória, com toda vivacidade que lhes é tão peculiar. Como são intensos os espanhóis.
Escrevo para não esquecer e esqueço para poder lembrar.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Um voltar sem ir
Às vezes, tenho uma vontade imensa, enorme desvairada quase maior que o mundo de virar as costas e ir embora deixando tudo, absolutamente tudo para trás. De cidade a empregos,de vestidos a pessoas, de livros a momentos,de amigos a amores, de jobs a desejos, de sonhos a ilusões, de dores a frustrações, de brigadeiros a quindins e de músicas a festas. Vontade nem dar tchau, simplesmente ir, para um lugar que não tenho a menor idéia de onde seja e se é que existe. Mas não vou, primeiro porque não sei onde fica e segundo, porque sei, que antes de chegar na primeira esquina do abandono total, vou sentir uma dor em cada parte do meu corpo de saudades de tudo que deixei. Sem sequer ter deixado. Lembrem-se: estou apenas imaginando.
Ficar a mercê da minha mente, que vai e vem em frequências ora centradas, ora desconexas, garanto é bem pior que estar nas mãos de um soldado romano pronto e treinado para cometer atrocidades. Ele, é um anjo perto do que eu mesma sou capaz de fazer comigo.
Respira e espera passar, o soldado não existe, nem você é sempre assim.
Volta já, mesmo sem nem ter ido.
Hoje estou bem dramática, quer rir? Então vai ver Friends.
Ficar a mercê da minha mente, que vai e vem em frequências ora centradas, ora desconexas, garanto é bem pior que estar nas mãos de um soldado romano pronto e treinado para cometer atrocidades. Ele, é um anjo perto do que eu mesma sou capaz de fazer comigo.
Respira e espera passar, o soldado não existe, nem você é sempre assim.
Volta já, mesmo sem nem ter ido.
Hoje estou bem dramática, quer rir? Então vai ver Friends.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
A Gol que se dane
Tá tudo bem estranho, porque na verdade, nunca esteve tão bem. Mas tenho uma mania de sacanear minha própria alegria, como se fosse um crime ela aparecer assim do nada, no meio de uma tarde chuvosa, de uma quarta feira simples de um outubro qualquer. E já é outubro heim gente? Meu deus. Então, sempre dou meu jeito de mudar a cor de certas situações, só para poder chorar de tristeza e me dar razão: tá vendo, olha aí nada dá certo mesmo? Adoro um drama e minha vida, ainda vai virar novela.
Como assim sua louca? Tudo sempre dá absolutamente certo, olha quanta coisa boa? Só um minuto que vou ali no no banheiro chorar já volto. Talvez seja um pressentimento, uma espécie de esmagamento na caixa torácica, algo inexplicável e desconcertante, que borra a maquiagem e muda o semblante.
Acordei feliz, porque vou visitar meus amigos no feriado e nossa, como sinto falta deles. Então taí um baita motivo para estar contente que só. E semana passada, fui visitar meus pais, briguei e fiz as pazes com a minha irmã, dei o maior abraço do mundo nela, aquele de quem se odeia em instantes, mas se ama pela vida inteira. Coisas que só irmãos entendem, não dá para explicar, meio assim.
Morri de rir com minha tia e minha mãe imitando a música que eu ouvi um cara cantando em Cadaqués e cantei para elas. Fizeram tipo um coro: “Negue que me pertenceu que eu mostro a boca molhada ainda marcada pelo beijo seu” as duas cantando juntas foi demais, todos rimos muito, vimos fotos, contei histórias e meu pai adorou o presente que comprei para ele. Mostrou todos os exames recentes, ele adora falar de como a saúde dele vai muito bem, beira a loucura hipocondríaca, mas a gente finge que é normal. Estamos todos enlouquecendo, eu, ele e muita gente por aí, mas se fosse só ele, ou só eu a gente até se preocuparia, mas o negócio tá meio generalizado então, deixa para lá. Bom aí hoje também almocei no Indiano, o restaurante que adoro ali da Juscelino. Rimos muito, comentando coisas com aquela maldade pura, sabem? Loucuras corporativas que fazem a gente sorrir à toa, mas não chegam a magoar ninguém. Aí quando eu estava voltando feliz do restaurante fui capturada, assim do nada por essa coisa estranha que de vez em quando, quase me mata sufocada enquanto eu sorrio por aí.
Foi me dando um frio, uma dor de cabeça, que precisava até de mais cabeças para suportar a dor por completo, vazava a dor pela rua, mas era só minha e não estava cabendo . E também o maior desejo do mundo de estar na minha cama para poder chorar por nada. Só porque a vontade veio e eu não queria controlar. Só porque deixei para última hora para comprar a passagem para viajar no feriado e agora ela tá custando R$658,00. Ah Gol, não inviabiliza vai, eu amo meus amigos, mas um valor exorbitante desses para passar frio em Curitiba é um pouco demais para minha cabeça. Só porque as vezes dá uma vontade ser rica e poder fazer isso mesmo: virar as costas e ir para casa desabar em lágrimas quentes e meladas. Tipo um desabafo, um recomeço ou um fôlego para continuar. Não é um choro de tristeza, talvez seja até de medo que tanta felicidade de repente um dia se vá. Tá tudo tão estranho porque aliás, nunca esteve tão bem.
Por fim, a vontade de chorar passou e modéstia parte, fico bem mais bonita sorrindo. a Gol que se dane, porque eu vou nem que seja a pé. Inclusive, ninguém tem um helicóptero para me emprestar na sexta?
" a seguir mais coisas do lado de lá."
Como assim sua louca? Tudo sempre dá absolutamente certo, olha quanta coisa boa? Só um minuto que vou ali no no banheiro chorar já volto. Talvez seja um pressentimento, uma espécie de esmagamento na caixa torácica, algo inexplicável e desconcertante, que borra a maquiagem e muda o semblante.
Acordei feliz, porque vou visitar meus amigos no feriado e nossa, como sinto falta deles. Então taí um baita motivo para estar contente que só. E semana passada, fui visitar meus pais, briguei e fiz as pazes com a minha irmã, dei o maior abraço do mundo nela, aquele de quem se odeia em instantes, mas se ama pela vida inteira. Coisas que só irmãos entendem, não dá para explicar, meio assim.
Morri de rir com minha tia e minha mãe imitando a música que eu ouvi um cara cantando em Cadaqués e cantei para elas. Fizeram tipo um coro: “Negue que me pertenceu que eu mostro a boca molhada ainda marcada pelo beijo seu” as duas cantando juntas foi demais, todos rimos muito, vimos fotos, contei histórias e meu pai adorou o presente que comprei para ele. Mostrou todos os exames recentes, ele adora falar de como a saúde dele vai muito bem, beira a loucura hipocondríaca, mas a gente finge que é normal. Estamos todos enlouquecendo, eu, ele e muita gente por aí, mas se fosse só ele, ou só eu a gente até se preocuparia, mas o negócio tá meio generalizado então, deixa para lá. Bom aí hoje também almocei no Indiano, o restaurante que adoro ali da Juscelino. Rimos muito, comentando coisas com aquela maldade pura, sabem? Loucuras corporativas que fazem a gente sorrir à toa, mas não chegam a magoar ninguém. Aí quando eu estava voltando feliz do restaurante fui capturada, assim do nada por essa coisa estranha que de vez em quando, quase me mata sufocada enquanto eu sorrio por aí.
Foi me dando um frio, uma dor de cabeça, que precisava até de mais cabeças para suportar a dor por completo, vazava a dor pela rua, mas era só minha e não estava cabendo . E também o maior desejo do mundo de estar na minha cama para poder chorar por nada. Só porque a vontade veio e eu não queria controlar. Só porque deixei para última hora para comprar a passagem para viajar no feriado e agora ela tá custando R$658,00. Ah Gol, não inviabiliza vai, eu amo meus amigos, mas um valor exorbitante desses para passar frio em Curitiba é um pouco demais para minha cabeça. Só porque as vezes dá uma vontade ser rica e poder fazer isso mesmo: virar as costas e ir para casa desabar em lágrimas quentes e meladas. Tipo um desabafo, um recomeço ou um fôlego para continuar. Não é um choro de tristeza, talvez seja até de medo que tanta felicidade de repente um dia se vá. Tá tudo tão estranho porque aliás, nunca esteve tão bem.
Por fim, a vontade de chorar passou e modéstia parte, fico bem mais bonita sorrindo. a Gol que se dane, porque eu vou nem que seja a pé. Inclusive, ninguém tem um helicóptero para me emprestar na sexta?
" a seguir mais coisas do lado de lá."
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Bonjour madame
Aí de repente eu tava lá sobrevoando Paris para chegar em Barcelona. Meu Deus, esse foi meu sonho durante tanto tempo e eu estava ali, quase chegando. Queria escrever emoção em francês, mas a única coisa que sei falar é Merci e Bonjour e olhe lá e para falar a verdade, nem falar eu estava falando. Primeiro porque minha amiga me emprestou uma mala de mão, tão, mas tão velha que provavelmente a última vez que foi usada deve ter sido em 1962, então o cheiro da mala era algo letal para quem sofre de alergia, no caso, a americana que estava sentada do meu lado. E a menina espirrou, espirrou e espirrou, fora de brincadeira umas 29380 vezes daqui até lá, chegou uma hora que eu pensei ou ela vai me bater ou desmaiar. Mas eu não consegui deixar de rir por dentro, sei nem se era a gripe, a febre, o vinho ( muito vinho, umas três, quatro ou cinco garrafas) mas alguns remédios ( três, quatro ou cinco também) o fuso e mais a felicidade de estar chegando. Sei lá o que era, mas quanto mais a menina espirrava mas eu tinha acessos de risos interno. Coitada. Eu não sou ruim assim, mas emoções descontroladas e misturadas me fazem ficar assim, sarcástica, desequilibrada e sorridente . Aí o avião parou em Paris para fazer uma conexão e eu bem louca comecei a imaginar ruas sensacionais, sombrinhas de bolinha, a Amelie Poulain, tipo um filme de sessão da tarde passava pela minha cabeça e eu ria enquanto a coitada espirrava. Mas meus pensamentos estavam tão legais que desliguei dela, que espirre aí e me deixe aqui pensar no musical francês que seriam meus dias a seguir. E lá estava eu, apenas sobrevoando a cidade dos meus sonhos, olhando lá de cima para logo voltar , mas no caso era só uma passada, mas cabeça delirante já estava criando as mais belas histórias, repletas de trilhas sonoras e figurinos . Eis que quando vejo, MEU, nem sobrevoando estava, o avião tava ali parado horas e eu achando que tava no céu de Paris. Morri de rir de novo. Acho que foi o vinho mesmo, eu tava realmente trêbada, gripada e feliz, uma mistura que olha, faz até avião parado voar. E lá fui eu para Barcelona, para logo voltar e terminar minha história de amor com a cidade luz. E a menina, coitada, seguiu espirrando para alguma parte do mundo. Aí sim o avião subiu e eu fui.
sábado, 26 de setembro de 2009
Cadaqués, querida
Foi naquele exato momento que elas dançavam ao som de La Luna Bella, que meu sorriso veio com força total, de dentro para fora, verdadeiro, inteiro e delicioso. Fazia tempo que ele não aparecia assim. A gente ria tanto e pensava em tanta coisa boa, imaginava um futuro tão lindo só de ve-las dançarem e tocarem. Era um grupo de italianos, mais velhos, com roupas e cabelos que denunciavam alegria e uma vida bem vivida, era bem capaz que também tivessem problemas, mas ali naquele lugar, posso afirmar: eles desapareciam. Ali um estranho bem-estar, um contentamento repentino e agradável tomava conta das pessoas, talvez fosse o vento. E eu nem sabia que esse lugar existia. Neste momento pensei: toda vez que ficar triste na vida vou lembrar deste dia, dessas pessoas, desse céu, dessa lua querendo despontar e de de cada detalhe colorido deste contexto que me fez sorrir por inteiro, sem ressalva e sem restrição.
Era um fim de tarde quente e nós tínhamos velejado pelo mediterrâneo o dia todo, num mar azul, cheio de peixes. Com todo respeito, pelos peixes, mas eu não sou assim tão fã, tanto faz, mas mergulhei para vê-los porque minha amiga que estava junto, não parava de falar: Olha esse peixe. Chegou uma hora que cansei e fui honesta: Na boa, não tô nem aí para esses peixes, me deixa tomar meu sol. E nós rimos, aquela risada nossa de cumplicidade e alegria por estarmos perto uma da outra, independente se eu não tivesse nem aí para o peixe que ela adorava. Ela é aquela amiga que eu não tenho a menor idéia de como consigo ficar longe.Taí uma pergunta que para sempre vai ficar sem resposta. Como?
Mas em frente, Cadaqués é a estrela desse texto. E os italianos dançavam como se não houvesse amanhã, numa alegria contagiante, roupas vibrantes e a gente se imaginava com aquela idade, com aqueles cabelos, e eu especialmente com aquele sapato, fissurei no sapato da italiana, era um vermelho, um vermelho que olha, sei nem descrever. Cadaqués é uma cidade onde viveu muito tempo Salvador Dalí, diz a lenda que o quadro famoso que ele pintou da irmã na janela, foi ali pertinho de onde eu estava, o lugar que inspirou grande parte dos seus surtos. Dizem que o tramontana, um vento comum por ali, exerce uma estranha sensação de loucura nas pessoas, devo dizer que não preciso de vento para surtar, mas alguma coisa aconteceu no meu coração e Cadaqués me fez fez sentir de um jeito que até então desconhecia. Não sei se foi o mar azul, a presença da minha amiga, o céu, a casa, as histórias, a arte, ou tudo junto. Só sei que bem ali, fui muito feliz.
A seguir uma série de textos sobre " coisas do lado de lá".
Era um fim de tarde quente e nós tínhamos velejado pelo mediterrâneo o dia todo, num mar azul, cheio de peixes. Com todo respeito, pelos peixes, mas eu não sou assim tão fã, tanto faz, mas mergulhei para vê-los porque minha amiga que estava junto, não parava de falar: Olha esse peixe. Chegou uma hora que cansei e fui honesta: Na boa, não tô nem aí para esses peixes, me deixa tomar meu sol. E nós rimos, aquela risada nossa de cumplicidade e alegria por estarmos perto uma da outra, independente se eu não tivesse nem aí para o peixe que ela adorava. Ela é aquela amiga que eu não tenho a menor idéia de como consigo ficar longe.Taí uma pergunta que para sempre vai ficar sem resposta. Como?
Mas em frente, Cadaqués é a estrela desse texto. E os italianos dançavam como se não houvesse amanhã, numa alegria contagiante, roupas vibrantes e a gente se imaginava com aquela idade, com aqueles cabelos, e eu especialmente com aquele sapato, fissurei no sapato da italiana, era um vermelho, um vermelho que olha, sei nem descrever. Cadaqués é uma cidade onde viveu muito tempo Salvador Dalí, diz a lenda que o quadro famoso que ele pintou da irmã na janela, foi ali pertinho de onde eu estava, o lugar que inspirou grande parte dos seus surtos. Dizem que o tramontana, um vento comum por ali, exerce uma estranha sensação de loucura nas pessoas, devo dizer que não preciso de vento para surtar, mas alguma coisa aconteceu no meu coração e Cadaqués me fez fez sentir de um jeito que até então desconhecia. Não sei se foi o mar azul, a presença da minha amiga, o céu, a casa, as histórias, a arte, ou tudo junto. Só sei que bem ali, fui muito feliz.
A seguir uma série de textos sobre " coisas do lado de lá".
domingo, 16 de agosto de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Lúdica Loucura
Sabe quando você vai andar de roda gigante e no começo é delicioso? E você fica olhando tudo lá de cima deslumbrada, feliz, com os olhos brilhantes de tanta empolgação? Depois sobe, desce, sobe, desce, sobe, desce. sobe, desce, sobe, desce, sobe. desce. sobe, desce, sobe, desce, sobe, desce. sobe, desce, sobe, desce, sobe, desce. sobe, desce, sobe, desce, sobe. desce. sobe, desce, sobe, desce, sobe, desce. sobe, desce, sobe, desce, sobe, desce. Aí você enjoa, só que não dá mais para descer. E de repente você se vê presa na roda gigante. Eis o mistério do deslumbramento, que quando se esvai vira um tédio total, ainda que no caos da subida e da descida delirante.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Então é isso?
Hoje eu dei muita risada no almoço. Contei para os meninos que ontem eu tomei dois banhos, simplesmente porque esqueci que já tinha tomado e quando tava lá no chuveiro lembrei: ué, mas por que meu cabelo já tá molhado? Quer dizer, nem preciso continuar. Deu para entender né? Ai a gente riu, disso, daquilo, de bobagens, da Anabela, de coisas idiotas mesmo, porque aqui, por mais que exista a pressão a cobrança, o cansaço, mais do mesmo, uma coisa que não falta é risada todo dia e toda hora. Mesmo que eu chegue em casa e chore às vezes. Aí minha amiga que eu adoro também tá vindo passar uns dias comigo. Ainda não descobri quem comprou o pimentão. Meu lap top continua quebrado. O twitter continua idiota e viciante. Minha prima tá grávida. A Manoela nasceu. A Julia assiste filme comigo e ainda diz: eu avisei que você ia chorar. Minha amiga descobriu que eu tava certa: o namorado dela é um porre. Chato. Filosofa, disserta e argumenta sobre coisas que OI? Não estamos interessadas. Agora posso falar sem culpa: ele é chato. Termina porque meu estoque de cunhados chatos para esta vida já tá encerrado, um deles ocupa praticamente todo espaço. Os clientes continuam devolvendo os textos e falando que não era nada disso. Outros elogiam e falam que era exatamente isso. As pessoas continuam dizendo por comentários e e-mails que eu escrevo realmente o que elas sentem. Isso me deixa tão feliz. Continuo em dúvida sobre você. Fui num jantar na casa de uns amigos e olha: como me diverti, parecia que os diálogos tinham sido ensaiados de tanta conexão de surto. Aí minha amiga tá mandando um sapato que eu adorei e só tem lá na loja dela em Curitiba. Estilo Peep Toe, fashion, já criei várias produções imaginárias com ele. Ontem pedi férias para o meu chefe e ele muito carinhosamente disse: não! E eu com muito jogo de cintura respondi: olha lá, não responde agora vou te dar um tempo para pensar. E ainda saí rindo, quando na verdade queria gritar. Tô achando tão chique ser mais calma. Aí minha mãe ficou feliz porque ela acha que se eu pisar na Espanha vou pegar gripe suína. Aí voltei da sala dele e escrevi no msn para ela (sim nisso ela é moderna) Pronto. Pode comemorar, ele não liberou minha viagem.
–Melhor assim filha, Deus cortou alguma coisa.
–Ah sim, cortou meu barato. Mas ainda não perdi as esperanças. Qualquer hora vou e sem nem se volto.
Continuo olhando pela sacada e imaginando tantas coisas ótimas que estão para acontecer.
Soube que uma tia que eu amo está doente e só lembrei o quanto sinto falta dela, com a possibilidade da perda. Continuo cínica e generosa na mesma proporção, mas Deus perdoa os bipolares, nisso eu confio. Agora sento no divã e falo o que eu realmente sinto, penso e pretendo, mesmo que tudo passe em seguida. Ele não me julga, ele balança a cabeça como se compreendesse perfeitamente o que eu quero dizer, mesmo quando nem eu compreendo. Eu amo todo mundo, depois eu não suporto ninguém, eu morro de preguiça deste tempo chato. Ai passo o sábado rodeada por pipoca, chocolate, cobertores, Friends e ar quente. Aí me perguntam: E aí tá frio? Aqui? Ah, sei lá, dentro do meu quarto tá quentinho. Ainda tomo uma garrafa de vinho. Comemoro que essa fase estranha tá prestes a ir embora. Fumo dois cigarros, olhando para a sacada, lavo roupas, compro vestidos, falo no telefone, assisto a novela, entrego jobs, escrevo textos, leio roteiros e sonho em brevemente escrever alguns. É isso, sigo vivendo e esperando a vida acontecer, enquanto ela acontece de fato.
–Melhor assim filha, Deus cortou alguma coisa.
–Ah sim, cortou meu barato. Mas ainda não perdi as esperanças. Qualquer hora vou e sem nem se volto.
Continuo olhando pela sacada e imaginando tantas coisas ótimas que estão para acontecer.
Soube que uma tia que eu amo está doente e só lembrei o quanto sinto falta dela, com a possibilidade da perda. Continuo cínica e generosa na mesma proporção, mas Deus perdoa os bipolares, nisso eu confio. Agora sento no divã e falo o que eu realmente sinto, penso e pretendo, mesmo que tudo passe em seguida. Ele não me julga, ele balança a cabeça como se compreendesse perfeitamente o que eu quero dizer, mesmo quando nem eu compreendo. Eu amo todo mundo, depois eu não suporto ninguém, eu morro de preguiça deste tempo chato. Ai passo o sábado rodeada por pipoca, chocolate, cobertores, Friends e ar quente. Aí me perguntam: E aí tá frio? Aqui? Ah, sei lá, dentro do meu quarto tá quentinho. Ainda tomo uma garrafa de vinho. Comemoro que essa fase estranha tá prestes a ir embora. Fumo dois cigarros, olhando para a sacada, lavo roupas, compro vestidos, falo no telefone, assisto a novela, entrego jobs, escrevo textos, leio roteiros e sonho em brevemente escrever alguns. É isso, sigo vivendo e esperando a vida acontecer, enquanto ela acontece de fato.
terça-feira, 14 de julho de 2009
E ainda tiraram o acento do meu enjoo.
Quer ler um texto bonitinho? Volta outro dia.
Não sei mais se estou procurando você ou me procurando. Uma coisa é fato: tentando te achar, me perdi. Tentando me encontrar eu perdi tudo.Posso estar vagando pelo espaço sideral ou dormindo o sono mais profundo que a ânsia não passa, tô enjoada do planeta, tenho vontade vomitar a cada bocejo entendiante que dou olhando para qualquer canto do meu mundo poluído. O médico diz que é normal, em 10 dias eu vou me acostumar e os efeitos colaterais vão passar. Ah. Jura? Nunca passaram e vão passar em dias agora por que? É mentira dele. É mentira sua. Todo mundo mente. Todo mundo engana. Mas todo mundo quem? Não tem ninguém. Até que tem né? Olha que mundo lotado, mas nada que importe. O silêncio me dá o mais profundo enjoo ( sem acento), a festa animada do lado me dá o mais profundo enjoo ( sem acento), o dia azul com um sol brilhante me mata de ânsia ( não gosto de escrever enjoo sem acento). O som da abertura da novela, a música do jornal nacional, os 50 anos do Rei, rei para mim é o Valium e nada mais. As frases ridículas pseudo- sou moderna do twitter, os recados do facebook, as músicas do i-pod, os e-mails superficiais, o egoísmo nosso de cada dia, o individualismo sem limite que me trouxe pelas mãos até aqui . Cade meu Eno? Juro que vou vomitar. Olhar para o teto ou olhar para sua cara dá no mesmo. E eu juro que não sei o que aquele pimentão estava fazendo na geladeira, eu nunca comprei, não tenho a menor idéia do que fazer com uma bandeja de pimentão. E além do que, deve me dar enjoo também. Dormir me deixa triste. Acordar me dá medo e sonhar me dá pânico. Alegria para mim significa ganhar concorrência e tristeza derrubar vinho na minha jaqueta branca. Nem a voz do meu pai que sempre me acalmou e encheu de esperança muda alguma coisa. Nem uma vitrine do Iguatemi que fazia meus olhos brilharem me faz esboçar o menor entusiamo. Todo mundo que quer me ajudar no fundo quer me comer, não que eu seja irresistível, mas tá todo mundo sempre querendo tirar uma casquinha. Somos todos animais em busca da satisfação num hedonismo cego e desenfreado.
Viu? Não te achei e ainda me perdi, além de ter me perdido perdi todas as certezas de vista, não vejo mais nada.
Não sei onde estou, mas isso também não importa, só queria mesmo saber quando esse enjoo, sem acento vai passar?
Vou ali vomitar já volto.
Não sei mais se estou procurando você ou me procurando. Uma coisa é fato: tentando te achar, me perdi. Tentando me encontrar eu perdi tudo.Posso estar vagando pelo espaço sideral ou dormindo o sono mais profundo que a ânsia não passa, tô enjoada do planeta, tenho vontade vomitar a cada bocejo entendiante que dou olhando para qualquer canto do meu mundo poluído. O médico diz que é normal, em 10 dias eu vou me acostumar e os efeitos colaterais vão passar. Ah. Jura? Nunca passaram e vão passar em dias agora por que? É mentira dele. É mentira sua. Todo mundo mente. Todo mundo engana. Mas todo mundo quem? Não tem ninguém. Até que tem né? Olha que mundo lotado, mas nada que importe. O silêncio me dá o mais profundo enjoo ( sem acento), a festa animada do lado me dá o mais profundo enjoo ( sem acento), o dia azul com um sol brilhante me mata de ânsia ( não gosto de escrever enjoo sem acento). O som da abertura da novela, a música do jornal nacional, os 50 anos do Rei, rei para mim é o Valium e nada mais. As frases ridículas pseudo- sou moderna do twitter, os recados do facebook, as músicas do i-pod, os e-mails superficiais, o egoísmo nosso de cada dia, o individualismo sem limite que me trouxe pelas mãos até aqui . Cade meu Eno? Juro que vou vomitar. Olhar para o teto ou olhar para sua cara dá no mesmo. E eu juro que não sei o que aquele pimentão estava fazendo na geladeira, eu nunca comprei, não tenho a menor idéia do que fazer com uma bandeja de pimentão. E além do que, deve me dar enjoo também. Dormir me deixa triste. Acordar me dá medo e sonhar me dá pânico. Alegria para mim significa ganhar concorrência e tristeza derrubar vinho na minha jaqueta branca. Nem a voz do meu pai que sempre me acalmou e encheu de esperança muda alguma coisa. Nem uma vitrine do Iguatemi que fazia meus olhos brilharem me faz esboçar o menor entusiamo. Todo mundo que quer me ajudar no fundo quer me comer, não que eu seja irresistível, mas tá todo mundo sempre querendo tirar uma casquinha. Somos todos animais em busca da satisfação num hedonismo cego e desenfreado.
Viu? Não te achei e ainda me perdi, além de ter me perdido perdi todas as certezas de vista, não vejo mais nada.
Não sei onde estou, mas isso também não importa, só queria mesmo saber quando esse enjoo, sem acento vai passar?
Vou ali vomitar já volto.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
O Minuano
Peguei o detergente e trouxe para o quarto achando que era uma garrafinha de água.
Passou um tempo, fiquei com sede e fui pegar a água ao lado da cama, quando vi pensei: meu Deus, quem trouxe o Minuano para cá?
Aí naquele instante em que tudo faz sentido,lembrei que moro sozinha, quer dizer, então fui eu. Minuano não entendeu nada coitado. Levei ele de volta para cozinha e trouxe a água, final feliz. Ai eu pergunto: há limites gente? Daqui a pouco eu tô tomando detergente como se não houvesse amanhã.
Passou um tempo, fiquei com sede e fui pegar a água ao lado da cama, quando vi pensei: meu Deus, quem trouxe o Minuano para cá?
Aí naquele instante em que tudo faz sentido,lembrei que moro sozinha, quer dizer, então fui eu. Minuano não entendeu nada coitado. Levei ele de volta para cozinha e trouxe a água, final feliz. Ai eu pergunto: há limites gente? Daqui a pouco eu tô tomando detergente como se não houvesse amanhã.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
O sonho acabou?
Depois de um dia bem difícil eu quis descontar tudo comendo sem parar, peguei uma temporada de Friends, passei na padaria, para comprar bolo, pudim, bomba de creme, vinho, chocolate, pães dos mais variados estilos e pipoca muita pipoca. Queria esquecer do dia, recheando a noite com muito doce e as melhores companhias: Joey, Chandller, Rachel, Ross, Mônica e a Phoebe.
Queria esquecer que hoje eu encontrei com a frustração cara a cara, ela me olhou nos olhos e sorriu vitoriosa. Ela é tão real que por pouco não é palpável, tão dura, que por pouco não é pedra, tão amarga, que por pouco não é veneno. Pois não é que ela existe mesmo? Eu achando que era crendice popular. Ela é tão fria, que por pouco não congela, tão feia que por pouco não assusta, tão triste, que por pouco não faz chorar.
-O sonho acabou? a moça perguntou.
-Acabou, mas tá saindo uma nova fornada. o padeiro respondeu.
Um diálogo simples ao lado me fez sorrir e pensar: Ah, essa frustração pode ser forte, mas eu sou muito mais.
-Me vê mais 2 kg de sonho moço?
E metaforicamente fui embora feliz carregando um saquinho de sonhos novinhos.
Queria esquecer que hoje eu encontrei com a frustração cara a cara, ela me olhou nos olhos e sorriu vitoriosa. Ela é tão real que por pouco não é palpável, tão dura, que por pouco não é pedra, tão amarga, que por pouco não é veneno. Pois não é que ela existe mesmo? Eu achando que era crendice popular. Ela é tão fria, que por pouco não congela, tão feia que por pouco não assusta, tão triste, que por pouco não faz chorar.
-O sonho acabou? a moça perguntou.
-Acabou, mas tá saindo uma nova fornada. o padeiro respondeu.
Um diálogo simples ao lado me fez sorrir e pensar: Ah, essa frustração pode ser forte, mas eu sou muito mais.
-Me vê mais 2 kg de sonho moço?
E metaforicamente fui embora feliz carregando um saquinho de sonhos novinhos.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Peguei meu Omo e subi.
Toda vez que vou até a lavanderia do meu prédio, acontece um fato.O coitado do mendigo/assaltante/amigo do porteiro/nenhuma das alternativas pode confirmar, uma noite dessas, já era quase de madrugada, abri a porta e por pouco não abro a cabeça de uma pessoa que estava estirada no chão.
Educada tento me desculpar.
- Moçoooo do céu, me desculpa. ( Como que eu vou adivinhar que tem um ser deitado na lavanderia?)
Sem nem pensar que podia ser um assaltante,estar armado ou sei lá, ainda pulo por cima, peço licença, desculpas de novo e coloco minha roupinha para lavar. Tudo isso bem tranquilinha e educada que sou.
Eis que a pessoa se levanta e pela aparência, digamos que não era exatamente para ela estar ali,ou não estava nos planos dele que eu estivesse ali. Não sei identificar se o cara estava "puto" ou simplesmente pensando o que fazer comigo. Nisso aparece um porteiro.
- Ele está com você?
- Oi?Comigo não.
- Você conhece ele?
Pronto, baixou um investigador da polícia no porteiro. penso meio sem paciência.
-Eu não, nunca vi, mas sem querer acertei a cabeça dele, mas ele tava deitado aqui, começo a explicar e quando vejo o cara tava correndo e o porteiro investigador atrás dele, e mais pessoal da garagem, e tudo vira uma espécie de episódio de Força Tarefa da Globo.
Bom, pego meu Omo e subo.Desculpa gente a confusão, mas são duas da manhã e eu vou dormir.
No dia seguinte, conto para minha mãe que me dá certeza que o cara faz parte de uma quadrilha que entrou com a intenção de matar o prédio todo, acabo levando o caso para síndica que faz um auê. Uma gritaria se forma na recepção, ela diz que vai demitir meia dúzia de "nego" incompetente.
-Desculpa, mas eu não queria que ninguém fosse demitido, afinal eu só queria lavar umas roupas e olha o rolo.
Sei lá mais o que deu, acabou que ela não demitiu ninguém eu tive que aturar semanas os porteiros me olhando com cara de "olha a dedo duro lá".
Em outra ocasião, já era madrugada e eu não estava muito bem de novo, quer dizer, bateu a frustração eu corro para lavanderia. Coloco meu querido Omo na máquina e nada de achar o botão de ligar, tento meia hora (juro) e vou para recepção com cara de indignada.
-Tô tentando ligar a máquina e nada, deve estar com problema. Isso tudo com ares de indignação.
A recepconista porteira e mais uma vizinha nordestina que perambula pelo prédio, resolvem ajudar.
De repente as duas me olham boquiabertas.
-Você tá brincando comigo? Ela pergunta.
- Imagina Sônia, se eu vou brincar que a máquina tá estragada sábado a noite? Olha minha cara de quem não tem mais o que fazer?
-Fran, essa é a secadora, você tá enchendo o filtro de ar com sabão em pó.
-Jura? Nossa, mas tinha que ter uma placa informando, são tão parecidas.
E as duas caem na risada. A vizinha nordestina tenta me passar um sermão com um sotaque arrastado.
- Mas oxêeeee menina, sua mãe não lhe ensinou a usar a máquina?
Eu mereço viu? Como se estar num sábado a noite na lavanderia do prédio colocando meu Omo no filtro de ar da secadora e esperando ela lavar a roupa já não fosse humilhação suficiente?
Mais uma, outro dia esperei uma hora, quando tirei, nem molhada a roupa estava. Lá fui eu reclamar.
E lá vem o porteiro como uma cara do "tipo essa louca de novo bem na hora do jogo"?
-Ah, não lavou porque você esqueceu de ligar.Ele falou com determinação.
Eu sempre demoro para processar a informação e acho que a pessoa tá com má vontade, mas dessa vez as evidências estavam contra mim.
- Não é possível, você acha que eu ia esquecer de ligar? Nesses rápidos segundos onde tudo faz sentido, parece que um coro grita: mas é clarooooooooo.
-Tanto não ligou como o sabão está todo aqui. Pode verificar.
- Nossa mas que complicado que é esse negócio de lavar roupas né? Disfarço.
Eu realmente tenho problemas com a lavanderia, ou seria: eu realmente tenho problemas. Nessas horas parece que até o Omo tão fofo fala: ela me comprou, não tô aqui porque quero não. Subo para o meu apartamento corada de vergonha, imaginando o que eles falam de mim pelas costas. Quer dizer, não há limites para minha insanidade.
Mas ô morre aqui tá?
Educada tento me desculpar.
- Moçoooo do céu, me desculpa. ( Como que eu vou adivinhar que tem um ser deitado na lavanderia?)
Sem nem pensar que podia ser um assaltante,estar armado ou sei lá, ainda pulo por cima, peço licença, desculpas de novo e coloco minha roupinha para lavar. Tudo isso bem tranquilinha e educada que sou.
Eis que a pessoa se levanta e pela aparência, digamos que não era exatamente para ela estar ali,ou não estava nos planos dele que eu estivesse ali. Não sei identificar se o cara estava "puto" ou simplesmente pensando o que fazer comigo. Nisso aparece um porteiro.
- Ele está com você?
- Oi?Comigo não.
- Você conhece ele?
Pronto, baixou um investigador da polícia no porteiro. penso meio sem paciência.
-Eu não, nunca vi, mas sem querer acertei a cabeça dele, mas ele tava deitado aqui, começo a explicar e quando vejo o cara tava correndo e o porteiro investigador atrás dele, e mais pessoal da garagem, e tudo vira uma espécie de episódio de Força Tarefa da Globo.
Bom, pego meu Omo e subo.Desculpa gente a confusão, mas são duas da manhã e eu vou dormir.
No dia seguinte, conto para minha mãe que me dá certeza que o cara faz parte de uma quadrilha que entrou com a intenção de matar o prédio todo, acabo levando o caso para síndica que faz um auê. Uma gritaria se forma na recepção, ela diz que vai demitir meia dúzia de "nego" incompetente.
-Desculpa, mas eu não queria que ninguém fosse demitido, afinal eu só queria lavar umas roupas e olha o rolo.
Sei lá mais o que deu, acabou que ela não demitiu ninguém eu tive que aturar semanas os porteiros me olhando com cara de "olha a dedo duro lá".
Em outra ocasião, já era madrugada e eu não estava muito bem de novo, quer dizer, bateu a frustração eu corro para lavanderia. Coloco meu querido Omo na máquina e nada de achar o botão de ligar, tento meia hora (juro) e vou para recepção com cara de indignada.
-Tô tentando ligar a máquina e nada, deve estar com problema. Isso tudo com ares de indignação.
A recepconista porteira e mais uma vizinha nordestina que perambula pelo prédio, resolvem ajudar.
De repente as duas me olham boquiabertas.
-Você tá brincando comigo? Ela pergunta.
- Imagina Sônia, se eu vou brincar que a máquina tá estragada sábado a noite? Olha minha cara de quem não tem mais o que fazer?
-Fran, essa é a secadora, você tá enchendo o filtro de ar com sabão em pó.
-Jura? Nossa, mas tinha que ter uma placa informando, são tão parecidas.
E as duas caem na risada. A vizinha nordestina tenta me passar um sermão com um sotaque arrastado.
- Mas oxêeeee menina, sua mãe não lhe ensinou a usar a máquina?
Eu mereço viu? Como se estar num sábado a noite na lavanderia do prédio colocando meu Omo no filtro de ar da secadora e esperando ela lavar a roupa já não fosse humilhação suficiente?
Mais uma, outro dia esperei uma hora, quando tirei, nem molhada a roupa estava. Lá fui eu reclamar.
E lá vem o porteiro como uma cara do "tipo essa louca de novo bem na hora do jogo"?
-Ah, não lavou porque você esqueceu de ligar.Ele falou com determinação.
Eu sempre demoro para processar a informação e acho que a pessoa tá com má vontade, mas dessa vez as evidências estavam contra mim.
- Não é possível, você acha que eu ia esquecer de ligar? Nesses rápidos segundos onde tudo faz sentido, parece que um coro grita: mas é clarooooooooo.
-Tanto não ligou como o sabão está todo aqui. Pode verificar.
- Nossa mas que complicado que é esse negócio de lavar roupas né? Disfarço.
Eu realmente tenho problemas com a lavanderia, ou seria: eu realmente tenho problemas. Nessas horas parece que até o Omo tão fofo fala: ela me comprou, não tô aqui porque quero não. Subo para o meu apartamento corada de vergonha, imaginando o que eles falam de mim pelas costas. Quer dizer, não há limites para minha insanidade.
Mas ô morre aqui tá?
sexta-feira, 19 de junho de 2009
O meio do tudo
Hoje eu tô com uma inquietação tão venenosa tá até soando saudável. Vontade cantar bem alto. Vontade dançar bêbada numa pista cheia de luzes ao som de uma música deliciosa. Sempre que eu tô feliz me imagino dançando e sempre que eu tô triste me imagino caindo de uma escada enorme e com um monte de gente rindo da minha cara. É sempre assim aqui dentro:o êxtase ou a queda. E todos os dias eu tenho que convencer meu coração acelerado que pensa que tá batendo no estádio do Maracanã entre ilusórias vitórias e derrotas de grandes campeonatos , que ainda estamos no meio e que ele tá dentro de um peito com medidas exatas e por isso precisa bater no limite, para gente não explodir. E que a vida, embora muitas vezes pareça, não é a final de um grande jogo cheio de expectativa e sim uma constante sem data definida para o fim. Mas na minha cabeça é sempre o começo ou o fim e o que vem no meio disso não tem graça nenhuma. Mas exepcionalmente hoje, consegui achar bonito o meio de tudo e me comovi. Normalmente para mim só vale a subida ou a descida. O êxtase ou a tristeza. O muito ou o nada. O silêncio ou o barulho e tudo que é intermediário disso me enche de tédio.O meio do caminho nunca foi meu lugar preferido, porque é nesta parte que eu desisto e perco a empolgação. Mas hoje foi diferente, achei bonita a minha busca o meu quase conseguir o meu quase chegar e a metade de tudo brilhou com a intensidade de um começo e com a profundidade de um fim.
Fiquei tão alegrinha que tive até medo de e cair de mim, porque enquanto o êxtase demora para aparecer a queda sempre se faz presente. E ainda estamos no meio, justamente a parte que eu nunca consigo entender, mas que de repente consegui achar tão interessante. O tudo tá vindo, mas enquanto ele não chega vou apreciando o caminho.
Fiquei tão alegrinha que tive até medo de e cair de mim, porque enquanto o êxtase demora para aparecer a queda sempre se faz presente. E ainda estamos no meio, justamente a parte que eu nunca consigo entender, mas que de repente consegui achar tão interessante. O tudo tá vindo, mas enquanto ele não chega vou apreciando o caminho.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Ah faz favor né?
Essa é boa agora, os jornalistas não precisam mais de diploma? Oi? E agora eu enfio meus anos de faculdade onde? Tanta coisa aí para ser julgada, apurada, vista e vão mexer com nego que tá estudando ou que já estudou. Vão tirar a classe e vai virar o que? Um amontoado de gente que escreve, tá bom que o direito da liberdade de expressão é para todos, mas e as técnicas? e a ética? e tudo? Ah vá. Tudo bem que eu nem devia estar indignada, porque propaganda é bem mais rentável e ainda bem que eu descobri isso a tempo de não virar uma chata metida a intelectual e com a conta negativa. Mas não me conformo, daqui a pouco estão falando que médico não precisa de diploma, que engenheiro não precisa de faculdade, que publicitário não precisa, ah é mas e publicitário precisa para que então? Esse povo não colabora viu? Não colabora mesmo. Deviam procurar coisa mais útil para decidir, isso sim.
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